SANA/AP
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Ditador sírio transfere armas químicas, diz jornal americano

Autoridades dos EUA dizem que Assad pode estar planejando ação ou ocultando arsenal

Gustavo Chacra, correspondente em Nova York,

13 de julho de 2012 | 21h42

NOVA YORK - O regime de Bashar Assad começou a transferir seus estoques de armas químicas dentro do território sírio, levantando suspeitas de que suas forças possam usá-las contra os opositores, segundo disseram autoridades americanas não identificadas ao jornal Wall Street Journal desta sexta-feira, 13.

"Eles querem realizar uma limpeza étnica", disse um dos funcionários do governo americano ao jornal. A oposição é majoritariamente sunita, enquanto Assad conta com o apoio das minorias alauita e cristã. Milícias ligadas a essas religiões, conhecidas como shabiha, são suspeitas de massacres como o da cidade de Tremseh, em Hama.

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Outra preocupação é com o destino do armamento caso o regime seja deposto. Uma das alternativas estudadas pelos americanos seria o uso da Jordânia para estocá-lo. O Wall Street Journal não questionou os entrevistados sobre os riscos de o arsenal não estar em segurança uma vez que o rei Abdullah da Jordânia também enfrenta protestos contra seu regime há mais de um ano e algumas consultorias de risco apostam na sua queda.

As autoridades americanas não descartam a possibilidade de o líder sírio apenas as estar escondendo das forças ocidentais e dos opositores em caso de intervenção externa. Por último, existe a chance de o regime de Damasco apenas querer transferir o arsenal para assustar os sunitas da oposição, que deixariam suas vilas com medo de ataques.

Os relatos são vistos com ceticismo e os próprios americanos preferem manter a cautela depois do fiasco na Guerra do Iraque, quando não foram encontradas as armas de destruição em massa de Saddam Hussein que justificaram a invasão.

A Síria não é signatária da Convenção de Armas Químicas e seu arsenal é um dos maiores do Oriente Médio. De acordo com o Global Security, as armas químicas da Síria estariam estocadas em cinco localidades, todas distantes de Damasco e Alepo, as duas maiores cidades do país e redutos do regime Assad. 

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