Ditadura de Mianmar recebe dissidente pró-democracia

A líder pró-democracia birmanesa e vencedora do Prêmio Nobel da Paz, Aung San Suu Kyi, de 64 anos, se reuniu hoje com a junta militar que governa Mianmar. Este foi primeiro encontro em dois meses, informaram funcionários do governo que falaram em condição de anonimato. Detalhes sobre as conversas não foram imediatamente divulgados.

AE-AP, Agencia Estado

09 de dezembro de 2009 | 20h10

A última reunião havia sido no dia 7 de outubro, depois que Suu Kyi enviou sua primeira carta para o chefe da junta, general Than Shwe, dizendo que gostaria de cooperar com o governo para fazer com que o Ocidente suspensa as sanções contra o país.

Não estava claro se a reunião de hoje estava relacionada a um comentário, publicado em 7 de outubro num jornal estatal, acusando Suu Kyi e seu partido, a Liga Nacional pela Democracia, de tentar pressionar o governo ao vazar as cartas para a mídia antes que elas chegassem a Than Shwe.

"Ela deveria ter se aproximado do governo de uma forma honesta para sair do impasse", diz o comentário. "Suas cartas sugerem desonestidade e são designadas a macular a imagem do atual governo". Comentários na mídia estatal de Mianmar são vistos com reflexos da visão da junta que governa o país.

Se Suu Kyi e seu partido "realmente querem trabalhar junto com o governo pelos interesses nacionais, eles devem enviar cartas diretamente ao chefe de Estado", diz o comentário. "Eles enviaram cartas pelo correio, mas as notícias sobre as correspondências receberam cobertura da mídia, da internet, do rádio, antes que as cartas tivessem chegado ao destinatário". Em sua mais recente carta, datada de 11 de novembro, Suu Kyi pede um encontro com Than Shwe.

"A tentativa de um dos lados de forçar o outro ao fazer o uso desonesto da mídia pode atrasar a resposta", segundo o comentário. Suu Kyi permaneceu detida por 14 dos últimos 20 anos, a maioria do tempo em prisão domiciliar. O porta-voz da Liga Nacional pela Democracia, Nyan Win, disse esperar que o comentário não reflita a posição da junta.

Ele disse que não podia confirmar a reunião com Suu Kyi, mas disse que se a reunião aconteceu "deve ter relação com a segunda carta". Suu Kyi "escreveu a carta com boas intenções para o bem do país", disse Nyan Win. "Esta carta não era confidencial e nosso objetivo era torná-la pública no momento certo. Não tivemos a intenção de pressionar o governo". Ele não pôde ser contatado mais tarde para falar sobre a reunião.

A política em Mianmar entrou num impasse desde que o partido de Suu Kyi venceu com grande maioria de votos as eleições de 1990. Os militares se recusaram a permitir que a legenda tomasse o poder e impuseram maiores controles ao movimento pró-independência, o que resultou na imposição de sanções econômicas e polícias por parte dos Estados Unidos e outros países ocidentais numa tentativa de isolar a junta. Porém, o governo de Barack Obama disse que as sanções não cumpriram a tarefa de promover reformas.

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