Lourival Sant´Anna/AE
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Divergência de etnia não pesou na hora do voto afegão

Política preocupou mais os eleitores do que a origem dos candidatos à presidência do país

Lourival Sant´Anna, O Estado de S. Paulo

21 de agosto de 2009 | 08h05

Dentre os afegãos que foram às urnas em Cabul, uma coisa chamava a atenção, além da coragem de arriscar a vida pelo voto: a dissociação entre etnia e política.

 

Por volta de 7h30, uma bomba pequena explodiu numa lata de lixo em frente da escola Amina-e Fedawi, seção eleitoral no bairro de Shah Shahid, de maioria pashtun, no sul de Cabul. "Ninguém ficou com medo", garantiu um agente do serviço de inteligência afegão, que controlava o acesso à escola. Embora a lei proíba propaganda nas imediações das seções eleitorais, o agente exibia um boné e um broche do presidente Hamid Karzai.

 

"Apesar das ameaças, vim votar porque o governo do Afeganistão agora está nas mãos dos afegãos", disse Meya Gul Zagai, de 60 anos, um motorista do governo aposentado, de etnia pashtun. "Ouvi a explosão de casa, mas bombas não podem desmoralizar as pessoas", acrescentou Zagai, que levou o neto Mohammed, de 6 anos.

 

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O colete da Comissão Eleitoral Independente (CEI) torna a professora Sahaba Malik, de 40 anos, um alvo do Taleban. "Não tenho medo, pois já sabíamos que o inimigo tentaria perturbar a eleição", disse Sahaba, coordenadora da ala feminina da seção eleitoral.

Mas nem todos saíram de casa sem hesitar. Zaheb Shah Totakhal, de 22 anos, dono de uma loja, confessou que ficou com medo por causa dos atentados com carros-bomba em Cabul - que mataram 7 pessoas no sábado e 10 na terça-feira. "Após ver TV e ouvir rádio, achei que podia vir, pois a seção eleitoral estava bem protegida." Totakhal, pashtun, votou em Karzai, da mesma etnia, por causa de sua experiência em governar.

"Estamos com medo, mas é nossa obrigação votar, por nosso país, para nossos filhos viverem em paz e terem emprego", disse Bibi Robiah, de 45 anos, ajeitando a burca azul, cuja parte de cima tinha retirado para votar. De etnia tajique, ela votou no ex-chanceler Abdullah Abdullah, também tajique.

Mas essa relação não é necessária. Sayed Bahram, de 20 anos, também tajique, votou em Karzai. Nias Mohammed, um tajique de 23 anos, funcionário do Ministério das Finanças, decidiu-se por Abdullah na última hora, sem saber que ele era de sua etnia.

O bairro Kart-e Sakhi concentra a população hazara, minoria de origem mongol. Há um candidato hazara, o ex-ministro do Planejamento e deputado Ramazan Bashardost, em terceiro lugar nas pesquisas. Mas o feirante hazara Sayed Hussein Dod, de 60 anos, nem pensou em votar nele: "Meu coração me disse para votar em Karzai."

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