Divergências ameaçam formação de governo iraquiano

O prolongamento das divergências entre xiitas e sunitas sobre questões de segurança no Iraque ameaça atrasar a formação do primeiro governo permanente do país desde a deposição do ex-presidente Saddam Hussein, em 2003. Esse risco ficou claro nesta sexta-feira através das declarações feitas pelos representantes das alianças políticas xiitas e sunitas em entrevista coletiva na residência do presidente interino do Iraque, Jalal Talabani, onde foram retomadas as negociações para formar o novo Executivo. As principais diferenças surgiram entre a governante Aliança Unida Iraquiana (AUI), de confissão xiita, e a Frente do Acordo Nacional do Iraque (Fani), que agrupa os principais partidos árabes sunitas. A AUI, liderada pelo primeiro-ministro iraquiano interino, Ibrahim al-Jaafari, defende que os assuntos de segurança sejam administrados pelo primeiro-ministro, já que a Constituição determina que ele é o comandante supremo das Forças Armadas e de Segurança. Já a Fani ressaltou nas conversas a necessidade da criação de um cargo de vice-primeiro-ministro para assuntos de segurança, posto que seria destinado a um dos deputados do grupo. "Esse pedido significa retirar as prerrogativas do próximo chefe de governo. Duas autoridades nos organismos de segurança é algo inaceitável, já que cria uma disputa que bloquearia o trabalho dessas instituições", argumentou Yauad Maleki, um dos dirigentes da AUI. Ainda segundo Maleki, "a situação de violência que vive o país requer a centralização do gerenciamento dos assuntos de segurança, razão pela qual queremos que o primeiro-ministro conserve tal responsabilidade". Impasse Fontes do Fani, por sua vez, alertaram que a rejeição de sua proposta pode significar um impasse que impediria a formação de um governo de união nacional. Os diálogos tinham sido suspensos na quarta-feira devido às divergências entre xiitas e sunitas a respeito de quem presidirá o poderoso Conselho de Segurança Nacional do Iraque (CSNI) e outras instituições de peso. A AUI, que obteve 128 dos 275 cadeiras do Parlamento nas eleições legislativas de dezembro passado, apresentou seu líder, o primeiro-ministro interino Ibrahim al-Jaafari, como candidato à chefia do próximo Executivo. Sua candidatura foi rejeitada pelos partidos árabes sunitas, xiitas laicos e curdos com o argumento deque Al-Jaafari fracassou em restabelecer a estabilidade e os serviços básicos no país desde que assumiu o governo interino, em junho de 2005.

Agencia Estado,

31 Março 2006 | 19h39

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