Dívida com a ONU deixa Brasil em posição vulnerável

A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em prol da união dos países em desenvolvimento para a defesa de seus interesses comuns nos foros multilaterais, que estará na base de seu discurso de hoje na ONU, conta com um sério elemento de vulnerabilidade: os calotes acumulados pelo governo brasileiro nos últimos anos no pagamento de suas cotas obrigatórias com os principais organismos internacionais. O Brasil deve à ONU cerca de US$ 120 milhões e à organização da ONU para Educação, Ciência e Cultura (Unesco), em torno de US$ 40 milhões . A continuidade dessa inadimplência terá certamente efeitos negativos sobre a política externa do governo e o próprio presidente já reconhece que o País fica em situação mais delicada. O senador Hélio Costa (PMDB-MG) contou que na quinta-feira, em reunião com senadores e líderes dos partidos aliados, Lula expressou sua preocupação com a possibilidade de o Brasil tornar-se mais vulnerável a pressões dos países riscos por causa dessas dívidas. Na avaliação do presidente, segundo Costa, a condição de devedor é especialmente problemática no momento em que o governo assume a liderança de países em desenvolvimento em negociações internacionais com o mundo desenvolvido. Além dessa posição regional, o Brasil assumirá em janeiro de 2004 uma das cadeiras rotativas do Conselho de Segurança da ONU por três anos. E ainda se engajou numa campanha em favor da ampla reforma da ONU e, particularmente, do Conselho de Segurança, na expectativa de tornar-se membro permanente. Se não quitar pelo menos um quinhão de seus débitos até o fim do ano, o País perderá o direito de voto nesses organismos internacionais. Leia também: Na abertura da Assembléia Geral da ONU, Lula pedirá união de pobres em foro mundiais

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