Dívidas ameaçam frear produção da PDVSA

Três prestadoras de serviço suspenderam as atividades na Venezuela, que deve US$ 7,8 bi

AP E AFP, O Estadao de S.Paulo

07 de fevereiro de 2009 | 00h00

O aumento das dívidas da estatal venezuelana PDVSA ameaça paralisar parte das atividades de exploração de petróleo no país. Em setembro, as faturas não pagas pela PDVSA a prestadoras de serviços atingiram US$ 7,8 bilhões. Desde então, a situação só piorou. Agora, a queda do preço do petróleo venezuelano está obrigando a estatal a tentar renegociar suas dívidas. A falta de pagamento da PDVSA levou a empresa americana Helmerich & Payne a anunciar que paralisará até julho as 11 torres de perfuração que mantém no país caso a PDVSA não pague uma dívida de US$ 100 milhões. A também americana Ensco International suspendeu suas perfurações na costa do Caribe por causa de dívidas de US$ 35 milhões. E a Belgazstroy, da Bielo-Rússia interrompeu suas atividades nos campos de gás do oeste do país. Segundo a PDVSA, os pagamentos estão atrasados porque as prestadoras de serviço aumentaram seus preços em até 40% quando a cotação do petróleo estava em seu patamar mais alto.O petróleo é responsável por 94% das exportações venezuelanas e metade do orçamento do governo do presidente Hugo Chávez. É com o dinheiro da PDVSA que Chávez financia seus programas de ajuda a países como a Bolívia e a Nicarágua e projetos sociais como as missões na área de educação e saúde. Segundo previsões do analista Greg Priddy, do Eurasia Group, com sede em Washington, a produção venezuelana deve cair entre 100.000 e 150.000 barris diários este ano - o que deve corresponderia a US$ 5 milhões a menos nos cofres venezuelanos todos os dias. As dificuldades da PDVSA vem a tona num momento especialmente tenso para os venezuelanos, em que o país se prepara para votar no referendo sobre as reeleições indefinidas (no dia 15). Na quinta-feira à noite, Chávez, anunciou que dois capitães da Guarda Nacional venezuelana foram presos acusados de conspirar para derrocar o seu governo com a ajuda de grupos opositores e ex-militares que vivem nos EUA.

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