Dividida, Igreja Episcopal dos EUA terá mulher no comando

A Igreja Episcopal do Estados Unidos, sob ameaça de perder seu lugar da comunidade anglicana internacional em meio a disputas sobre sexualidade e a Bíblia, está pondo seu futuro nas mãos de uma nova liderança. Neste sábado, Katharine Jefferts Schori deverá ser nomeada bispo-presidente da Catedral Nacional de Washington, tornando-se a primeira sacerdotisa a assumir o comando de uma Igreja nacional nos quase 500 anos do anglicanismo. Com 52 anos, Jefferts Schori era episcopisa de Nevada quando foi eleita pela Convenção Geral Episcopal, em junho. Ela espera revitalizar as paróquias episcopais, depois de anos de perda de fiéis, e levar adiante as obras sociais da Igreja. Mas disputas internas deverão consumir muito de seu tempo: a denominação, com 2,3 milhões de fiéis, é o braço americano da Igreja Anglicana e desencadeou furor quando consagrou o primeiro bispo assumidamente gay, V. Gene Robinson, há três anos. A maioria dos arcebispos anglicanos de outras partes do mundo crê que o homossexualismo é condenado nas Escrituras, e querem que a Igreja americana siga essa orientação ou abandone a comunidade anglicana internacional. Embora a opinião conservadora seja minoritária dentro episcopalismo, o grupo vem conseguindo exercer pressão, retendo doações para a Igreja e forjando alianças com anglicanos de fora dos EUA. Jefferts Schori terá de tentar reconciliar os fiéis. Ela é a favor da ordenação de sacerdotes gays e da bênção religiosa para uniões homossexuais, mas disse que não tentará impor sua visão pessoal à Igreja. A despeito disso, sete dioceses já afirmaram que vão se recusar a aceitá-la como líder. Fora dos EUA, alguns líderes anglicanos tradicionalistas prometem ignorá-la nos encontros internacionais da comunhão. Perguntada sobre o que gostaria de dizer a esses anglicanos, Jefferts Schori deu de ombros e disse: "Deixem disso".

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