Dividido, CS dá última chance para plano Annan

Conselho de Segurança da ONU concorda apenas em apoiar negociação para Síria

GUSTAVO CHACRA, CORRESPONDENTE / NOVA YORK, O Estado de S.Paulo

31 Maio 2012 | 03h09

Apesar da crescente fragilidade do plano de paz para a Síria, o Conselho de Segurança das Nações Unidas decidiu ontem seguir adiante no único ponto no qual há consenso entre seus membros e reforçou o apoio à missão de seu emissário, o ex-secretário-geral da ONU Kofi Annan.

A decisão foi tomada depois que Jean-Marie Guehenno, número 2 de Annan na mediação da crise síria, deu um depoimento por teleconferência para os 15 países integrantes conselho. Na avaliação dele, segundo o Estado apurou, o ditador Bashar Assad não deve cumprir os seis pontos do plano, mas, mesmo assim, vale uma última tentativa de evitar a guerra civil.

Os EUA e seus aliados europeus também estão céticos em relação à manutenção do plano de Annan, mas não têm alternativa a não ser aceitá-lo diante da impossibilidade de convencer a Rússia e a China a tomar passos mais firmes.

Diplomatas de países do conselho indicaram que mais observadores devem ser enviados à Síria. O trabalho deles tem sido elogiado, mas o número de monitores é visto como insuficiente para fiscalizar todo o país.

Na terça-feira, o presidente da França, François Hollande, disse que não está descartada a possibilidade de se adotar uma resolução que determine uma intervenção militar na Síria. Os EUA, porém, evitam endurecer o discurso e ontem o ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Guido Westerwelle, também disse que "não vê razão para especular sobre alternativas militares".

Moscou e Pequim já deixaram claro que vetarão qualquer iniciativa como a sugerida pelo presidente francês. Para a embaixadora dos EUA na ONU, Susan Rice, há três cenários possíveis na Síria.

"Primeiro, seria o governo sírio cooperar com o plano de Annan. Mas isso dificilmente ocorrerá. O segundo seria impor medidas adicionais, incluindo sanções. Caso nenhum desses dois cenários funcionem, teremos o terceiro, que parece ser o mais provável. Nele, a violência aumentará, o conflito se espalhará e intensificará, envolvendo países da região. Cada vez mais terá caráter sectário, sendo uma crise não apenas na Síria, mas em toda a região", disse Rice.

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