Dividido, PC chinês adia 16º Congresso

A direção do Partido Comunista Chinês (PCC) decidiu adiar por um mês a abertura do 16º congresso, transferido-a do início de outubro para o dia 8 de novembro, para ganhar tempo e poder acertar uma profunda renovação dos atuais quadros dirigentes. Oficialmente, a desculpa é a próxima visita que o presidente Jiang Zemin deve fazer ao colega norte-americano, George W. Bush. O congresso, que se realiza a cada cinco anos, deverá permitir a eleição de 350 membros e suplentes do comitê central, da cúpula dirigente e os 21 membros do birô político. É o congresso da renovação e da transferência do poder à "quarta geração". Deve oficializar a sucessão do presidente Jiang Zemin, atualmente com 76 anos, pelo vice-presidente Hu Jintao, de 59. Zemin eleito para dois mandatos seguidos não pode, pela Constituição, ser escolhido para um terceiro, mas nada impede que ele mantenha as altas funções de secretário-geral do PCC e presidente da poderosa comissão militar central. A escolha de Hu Jintao como novo presidente foi prevista em 1989 pelo antigo presidente Deng Xiaoping que o apresentou como futuro líder da "quarta geração". Uma negociação está praticamente concluída para que Hu assuma também a secretaria-geral do partido. Mas o presidente Jiang deve manter as funções na importante comissão militar, o que lhe permitirá importantes manobras políticas, mesmo estando nos bastidores. Além disso, ele poderá transferir gradativamente as rédeas do poder ao sucessor, ajudando-o na fase de transição. Ao contrário de Mao e Deng, o atual presidente nunca exerceu uma liderança carismática e a oposição a sua permanência poderá ser maior do que se espera. Sabe-se que esse congresso será o da aposentadoria do atual primeiro-ministro Zhu Rongji e de Li Peng, atual presidente do Parlamento. Efetivamente, o atual chefe do governo só deixa as funções em março de 2003, quando os deputados deverão se reunir para ratificar a escolha do congresso. O nome de Wen Jiabao tem sido apontado como o do mais provável sucessor do atual primeiro-ministro. A renovação dos dirigentes chineses deverá alcançar também as Forças Armadas e os dirigentes governamentais nas províncias. Segundo um analista norte-americano da política chinesa, se o conjunto da atual equipe se mantiver, isso constituiria sinal de intensa luta pelo poder - o que enfraqueceria o partido. Os atuais dirigentes vão tentar apresentar um balanço econômico positivo do país, anunciando que a queda da produtividade das 551 grandes empresas estatais pode ser freada. Nos últimos sete meses, segundo relatório da Comissão de Economia e do Comércio da China, a produção acumulada dessas empresas aumentou mais de 16%. Apesar da importante renovação prevista para os próximos meses, não se espera grande mudança na linha política do PCC, apenas pequenas correções - que reafirmam a aproximação econômica com o mundo capitalista sem abrir mão da opção ideológica.

Agencia Estado,

28 Agosto 2002 | 21h05

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