AFP PHOTO / LLUIS GENE
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Divididos, catalães devem declarar independência nesta terça

Assembleia Nacional Catalã, ONG que luta pela independência da região, convocou partidários da secessão para que se concentrem em frente à sede do Legislativo para garantir que a declaração unilateral ocorra

Andrei Netto, Correspondente / Paris , O Estado de S.Paulo

10 Outubro 2017 | 05h00

Depois de três anos de campanha intensa, de mobilizações de ruas e de desafiar o governo da Espanha, o governador catalão, Carles Puigdemont, deve anunciar nesta terça-feira, 10, em sessão do Parlamento a declaração unilateral de independência catalã. 

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A justificativa da proclamação, que divide até o campo secessionista, é cumprir a legislação local que autorizou a realização do plebiscito do dia 1.º. O texto torna obrigatório o pronunciamento do líder secessionista até 48 horas após a promulgação do resultado da votação. 

A convocação do Parlamento indica apenas que haverá um debate sobre a situação política da região à partir das 18 horas (13 horas em Brasília), uma forma de burlar o risco de a Justiça proibir a realização da sessão, como aconteceu ontem.

A previsão no fim de semana, segundo a jurista Marta Pascal, porta-voz do Partido Democrático da Catalunha (PDeCat, direita nacionalista), era de que Puigdemont fizesse uma declaração de independência informal, com um discurso que não será avaliado pelo pleno do Parlamento. Assim, a medida teria efeito apenas simbólico.

“Nós abrimos a porta para a mediação. Os dias passam e, se o Estado espanhol não responder de maneira positiva, nós faremos o que tiver de ser feito”, disse Puigdemont à TV catalã.

A Assembleia Nacional Catalã, ONG que luta pela independência da região, convocou partidários da secessão para que se concentrem em frente à sede do Legislativo para garantir que a declaração unilateral ocorra.

A iminência da ruptura, no entanto, vem dividindo até mesmo os grupos independentistas. A prefeita de Barcelona, Ada Colau, pediu moderação a Puigdemont. “Não devemos nos precipitar. Não devemos pôr em risco as instituições catalãs”, disse.

Vice-premiê da Espanha, Soraya Sáenz de Santamaría reiterou ontem que o governo espanhol agirá em caso de secessão. Em uma decisão excepcional, o líder dos socialistas, Pedro Sánchez, uniu-se ao governo de Rajoy para pedir que a Catalunha não faça a declaração.

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