Ariana Cubillos|AP
Ariana Cubillos|AP

Divididos entre o 'sim' e o 'não', colombianos votam em plebiscito sobre acordo de paz com as Farc

Com manhã chuvosa em Bogotá, governo pediu que pessoas saiam para votar em 'momento histórico do país'

Fernanda Simas, enviada especial / Bogotá, O Estado de S.Paulo

02 de outubro de 2016 | 16h09

BOGOTÁ - A votação do plebiscito sobre o acordo de paz em Bogotá começou com baixa participação em razão do frio e da chuva. As urnas foram abertas às 8 horas e o presidente Santos foi um dos primeiros a votar na mesa 1 do centro de votação do Congresso Nacional, na Praça Símon Bolívar.

"Bom dia a todos. Acabo de depositar meu voto nesse plebiscito histórico", afirmou Santos após votar, lembrando que ontem marcava o dia do nascimento de Mahatma Gandhi. "Nós aqui na Colômbia também precisamos adotar essa cultura da não-violência. Gandhi disse que o não ó o caminho até a paz, mas a paz é o caminho. A paz é o caminho para que nossos filhos e netos tenham um país melhor."

Mais tarde, no mesmo local votou o senador opositor e ex-presidente Álvaro Uribe, partidário e principal líder do 'não' ao processo de paz. "Agradecemos às pessoas que estudaram os acordos, que querem a paz, mas dizem não aos textos de Havana". Uribe aguardou o resultado do plebiscito em Medellín.

Os 34,9 milhões de colombianos que estão habilitados a votar devem responder à pergunta "Você apoia o acordo final para o término do conflito e a construção de uma paz estável e duradoura?". Para ser aprovado, o 'sim' precisa do voto de 13% do colégio eleitoral, ou seja, cerca de 4,5 milhões de votos.

No centro de votação de Corferias, o maior da capital colombiana, as pessoas começaram a fazer filas a partir das 9h30 e muitos casais levavam seus filhos e até cachorros para o local. Para chegar ao ponto de votação, as ruas foram fechadas e era preciso passar por uma revista policial.

Enquanto as crianças brincavam ou reclamavam de ter que ficar nas filas, os pais conversavam sobre o atual momento do país. "Estamos perdidos com esse presidente. Ele apenas quis fazer um acordo com as Farc para ter um prêmio, mas isso não é bom", afirmou Julio, enquanto esperava com a filha a mulher votar. Questionado sobre o que seria necessário fazer, ele respondeu: "podemos até renegociar, mas não entregar tudo o que as Farc pedem."

Opinião parecida tem Camilo. "Voto 'não' porque não quero dar garantias a narcotraficantes e criminosos, que não serão enviados para a prisão. Eles fizeram muito mal ao país e não pagarão por isso."

Na começo da tarde, o sol apareceu e o movimento em Corferias aumentou. Enquanto corria com seu guarda-chuva e uma batina branca para não pegar uma fila tão grande, o padre dominicano Rafael disse que votaria 'sim' ao acordo e comemorou o momento histórico. "É um momento transcendental. As pessoas podem sair e dizer o que pensam dos acordos feitos, se aceitam ou não. Se serão implementados é outro assunto, mas hoje é um dia muito importante."

A jovem Andrea Vargas também disse que votaria no 'sim'. "Eu voto 'sim' principalmente porque aqueles que sofreram com a guerrilha a perdoaram, então nós precisamos contribuir e dar uma chance", disse enquanto esperava um amigo para votar.

O voto no plebiscito não é obrigatório e o governo teme que a abstenção seja alta em razão do mal tempo. "Eu voto porque quero uma mudança, mas a maioria dos jovens não vota, é difícil mobilizá-los, ainda mais num dia chuvoso", comentou John, de 25 anos, antes de votar pelo 'sim'.

"É muito importante vir votar. O momento que vivemos é importante, o acordo não solucionará tudo, mas é uma mudança", afirmou a senhora Elga, acompanhada por uma amiga. As duas votaram pelo 'sim'.

Cerca de 300 mil policiais foram mobilizados em todo o país para garantir a segurança da votação.

Na área rural de La Guajira, o plebiscito foi suspenso em razão do mau tempo. Com a passagem de um furacão, os funcionários do Registro Nacional não conseguiram chegar ao local para entregar o material necessário para a realização da votação.

No começo da tarde, as autoridades afirmaram ter prendido um homem em Medellín responsável por ter realizado diversos ataques cibernéticos aos sites do Registro Nacional e da presidência colombiana. Até o momento, a polícia não registrou incidentes nos mais de 11 mil pontos de votação.

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