Dividindo a Cisjordânia e ampliando o conflito

Cenário: Jodi Rudoren / NYT

O Estado de S.Paulo

03 de dezembro de 2012 | 02h06

No alto de uma área montanhosa e desocupada, a leste de Jerusalém, há um pátio de pedra em que se veem alguns bancos de ferro verdes e uma placa anunciando a construção de uma futura comunidade judaica. Instalada em 2009, a placa promete que uma nova cidade será construída "junto à Jerusalém unificada, que em breve será restabelecida".

Jerusalém, que tanto Israel como os palestinos veem como sua capital, é tudo menos unificada, e os sérios desentendimentos sobre o que deve ser feito dela são, talvez, a maior ameaça às perspectivas de paz. Desde a instalação da placa, nada mais foi construído nessa litigiosa área de 12 quilômetros quadrados, conhecida como E1, onde a população de cabras é muito maior que a de pessoas.

Mas a informação, divulgada na sexta-feira, de que Israel pretende dar prosseguimento ao zoneamento e planejamento urbano da área pode mudar a situação. E isso talvez enterre de vez a chance de uma solução de dois Estados para o longo conflito entre israelenses e palestinos.

A urbanização de E1 ligaria o grande assentamento judaico de Maale Adumin a Jerusalém, dividindo a Cisjordânia em duas. As cidades palestinas de Ramallah e Belém seriam separadas.

Zakaria al-Qaq, professor de segurança nacional da Universidade de Al-Quds e morador de Jerusalém Oriental, descreve a situação israelense e palestina como um "ciclo infindável de ação e reação" e diz que o Binyamin Netanyahu está sendo pressionado a agir em razão das eleições de 22 de janeiro.

"Pode ser que os palestinos tenham obtido uma conquista ao elevar seu status na ONU em termos formais e morais, mas Israel agiu de forma mais concreta", diz. "Netanyahu tenta impor uma situação territorial, conquistando, assim, corações e mentes dos israelenses. É uma maneira bastante enfática de mostrar aos líderes palestinos que ele também tem cartas na manga."

A urbanização de E1, um projeto que os EUA obstruíram diversas vezes desde 1994, há muito tempo é vista como algo capaz de causar um curto-circuito diplomático de graves consequências. Projetos de ampliação de assentamentos foram acelerados nos últimos meses, irritando líderes palestinos, israelenses progressistas e a comunidade internacional, que os consideram uma violação da lei internacional.

Dani Seidemann, um advogado que vive em Jerusalém e há muito tempo atua em movimentos contra a política de assentamentos, diz que, antes dessa última decisão, o governo israelense realizou licitações para a construção de 2.366 unidades habitacionais em 2012, mais que o dobro do número de unidades construídas nos últimos três anos.

"Estamos nos aproximando de um ponto em que não há mais volta", diz Seidemann. "É a onda de assentamentos mais agressiva desde os anos 70." Israel começou a construir e a expandir sua ocupação em Jerusalém Oriental em 1968, pouco depois de tirar a área do controle da Jordânia.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.