Rodrigo Cavalheiro, Estadão
Rodrigo Cavalheiro, Estadão

Dividir eleitores, multiplicar lucro

Negócios faturam com segmentação política

Rodrigo Cavalheiro, correspondente / Buenos Aires, O Estado de S. Paulo

14 de fevereiro de 2015 | 20h55

BUENOS AIRES - Esteban Suárez, de 43 anos, gosta muito de Colônia do Sacramento, ponto turístico uruguaio, do outro lado do Rio da Prata. O morador de Buenos Aires aprecia a carne de cordeiro, o vinho, o ambiente colonial e o estilo uruguaios, embora os preços sejam meio salgados. Esteban só não vai a Colônia em razão de uma briga com um amigo que vive lá.

“Na verdade, um ex-amigo. Fomos muito próximos, mas nos distanciamos pelas coisas que ele escreve contra o governo. Sou kirchnerista e não posso mais encontrá-lo.”

Para clientes/eleitores como Esteban, há bares em Buenos Aires como o Perón Perón. Nele, a decoração, o cardápio e a própria comida podem causar indigestão em quem não é kirchnerista. Todos os pôsteres e roupas remetem a Juan Domingo Perón, Evita, Néstor e Cristina. No lugar, em que as garçonetes usam camisetas de Néstor, em certo momento, o rock nacional dá lugar ao hino “Perón, Perón”.


Uma cerveja de 500ml Doble K custa 50pesos (R$ 16). Um “pastel de papas”, o prato mais associado a Perón, pelos seus ingredientes “populares” – uma espécie de purê de batatas com carne moída –, sai por 90 pesos (R$ 30). Na quinta-feira, Esteban foi ao bar com dois amigos kirchneristas. Comentou que a marcha de quarta-feira em homenagem ao promotor Alberto Nisman será um ato para derrubar Cristina. Os dois amigos concordaram.

Para o músico Rodrigo Socolsky, de 29 anos, um kirchnerista “com críticas”, o bar claramente faz parte de uma estratégia de mercado. Ele é amigo do dono, Daniel Narezo, que vê relação curiosa entre a popularidade do kirchnerismo e a frequência de clientes. “Quanto mais nos atacam, mais cheio ele fica.”

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