REUTERS/Regis Duvignau
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Divisão de socialistas beneficia candidato de centro na França

Resultados fracos de Benoit Hamon em pesquisas levam muitos governistas a apoiar candidatura de Macron

Andrei Netto, Correspondente / Paris, O Estado de S.Paulo

10 de março de 2017 | 05h00

Depois da crise na campanha do candidato conservador, François Fillon, do partido Republicanos, é a vez do Partido Socialista (PS) viver dias turbulentos na corrida à presidência da França. Insatisfeitos com o programa de governo de seu candidato, Benoit Hamon, considerado radical demais, expoentes socialistas e dezenas de deputados se preparam para anunciar o desembarque da campanha. Em seu lugar, eles apoiarão o rival Emmanuel Macron, candidato social-liberal do movimento En Marche!.

Hamon foi eleito pela base do partido durante as primárias em janeiro, quando surpreendeu ao bater o ex-primeiro-ministro Manuel Valls. Mas, desde então, sua campanha perdeu força e o candidato da maior legenda de esquerda da França não decolou. Pesquisa do instituto Harris Interactive, divulgada nesta quinta-feira, indica que o ex-ministro da Educação do governo socialista de François Hollande, que liderou a oposição interna ao presidente, não ultrapassa os 13% das intenções de voto.

Hamon não avança porque uma outra candidatura de esquerda radical, a do populista Jean-Luc Mélenchon, disputa a mesma fatia do eleitorado e alcança 12%. Diante da fragmentação, líderes do PS vêm manifestando rejeição por Hamon e proximidade com o dissidente socialista Macron, que lidera as pesquisas – no levantamento divulgado nesta quinta-feira, o ex-ministro da Economia tem 26% das preferências – em empate técnico com a nacionalista Marine Le Pen, da Frente Nacional (extrema direita), que tem 25%.

Na avaliação de líderes do PS, há um risco concreto de que Marine vá ao segundo turno. Por isso, tem crescido a opção pelo voto útil em Macron, que tem mais chances de vencer a candidata da extrema direita na segunda votação. Essa foi a escolha do ex-prefeito de Paris Bertrand Delanoë, que na terça-feira anunciou seu apoio ao candidato social-liberal. 

“A França corre um risco maior. Talvez em dois meses a ideologia e os métodos da extrema direita governarão”, afirmou Delanoë. “O voto eficaz no primeiro turno é Emmanuel Macron.” Outras adesões importantes foram a do presidente da Assembleia Nacional, Claude Bartolone, e a do ministro das Cidades, Patrick Kanner – todos abandonando Hamon e anunciando voto no candidato centrista. 

O jornal Le Figaro revelou ainda que um grupo de parlamentares reformistas do PS, que representa a ala direita do partido, publicará nos próximos dias um texto intitulado “Por que nós apoiamos Emmanuel Macron”. Pressionado, Hamon atacou seu rival na noite de ontem, em entrevista à rede pública France Télévisions. 

“Eu não considero que o projeto de Macron seja o melhor”, argumentou. “Porque, em todo lugar da Europa em que houve liberalização, isso serviu de apoio ao crescimento da extrema direita.” 

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