Divisão do voto na Itália deixa eleição indefinida

Crise econômica e escândalos de corrupção beneficiam candidatos alternativos, como o ex-comunista Pier Luigi Bersani, que lidera pesquisas

ROMA, O Estado de S.Paulo

23 de fevereiro de 2013 | 02h03

O fracasso da campanha do premiê Mario Monti, a volta de Silvio Berlusconi e a ascensão de Beppe Grillo, um comediante populista, tornaram imprevisível o resultado da eleição italiana de amanhã e segunda-feira. Caso se confirme a fragmentação do eleitorado, a Itália corre risco de não ter um governo forte, o que poderia agravar a crise do euro.

A Itália, terceira maior economia da Europa, está mergulhada na mais grave recessão nos últimos 20 anos. Sucessivos governos não conseguiram fazer a economia se recuperar. A insatisfação popular com o índice de desemprego recorde, especialmente entre os jovens, com os aumentos tributários e com uma recente onda de escândalos de corrupção beneficiou candidaturas pouco ortodoxas, como a do ex-comunista Pier Luigi Bersani, que lidera com 34,7% das intenções de voto, de acordo com uma média de seis institutos feita pela Reuters.

Em segundo lugar vem Berlusconi, que ontem cancelou seu comício final em razão de uma conjuntivite. O ex-premiê tem 29% das intenções de voto. Aos 76 anos, ele passou a maior parte de 2012 à sombra, afetado por um escândalo sexual e por suspeitas de corrupção, depois de deixar o governo no auge da crise financeira, em 2011.

Em terceiro, também beneficiado pela insatisfação generalizada com o establishment político italiano, aparece Grillo, com 16%. Hábil no uso da internet, o comediante tem atraído multidões para vê-lo gritar e criticar a classe política italiana.

Monti tem apenas 13,6% das intenções de voto. Apesar de elogiado pelo mercado, as medidas de austeridade adotadas em seu governo arrasaram sua popularidade e praticamente acabaram com as chances de ele permanecer no cargo. / REUTERS

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