Divisão faz bloco opositor entrar na disputa enfraquecido

Do boicote ao juramento de Maduro à estratégia de campanha, cresce a cisão dentro da MUD, liderada por Capriles

CARACAS, O Estado de S.Paulo

10 de março de 2013 | 02h08

Divisões na Mesa de Unidade Democrática (MUD) ampliam as dificuldades da oposição para enfrentar o chavismo nas eleições de abril. E elas ficaram ainda mais claras na sexta-feira, quando parte da bancada opositora na Assembleia Nacional desprezou a estratégia de boicote à sessão que deu posse a Nicolás Maduro e assistiu à cerimônia.

Minutos antes, quando o candidato presidencial da aliança opositora, Henrique Capriles, encerrou uma entrevista coletiva na qual qualificou de "fraudulenta" a sentença do Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) que permitirá a Maduro ser presidente interino e candidato presidencial ao mesmo tempo, o dirigente do partido democrata-cristão Copei, Pedro Paulo Fernández, entrou ao vivo na Globovisión para discordar publicamente de suas declarações.

"A decisão do TSJ não é a questão central", declarou Fernández. "Ela não afeta a o resultado das eleições e não pode servir como pretexto para desmobilizar nossos militantes. Esse tipo de declaração (de Capriles) distrai a atenção do eleitor para outros fatores que não são os que decidirão a eleição."

O apresentador da Globovisión Leopoldo Castillos chegou a questionar Fernández. "Então, o que disse Capriles não tem fundamento?" "Respeito Henrique como líder de uma parte significativa do país, mas não tenho de concordar em tudo com ele."

"Devemos lembrar que, gostando ou não, o TSJ que temos hoje é consequência direta da nossa decisão de nos ausentarmos da campanha (para o Legislativo) de 2005", disse o Copei em um comunicado, referindo ao boicote que deu a totalidade das cadeiras da Assembleia para o chavismo. "Não voltaremos a abandonar os espaços de representação do povo venezuelano", concluiu, em resposta ao boicote à sessão de posse de Maduro.

Há duas semanas, em reuniões de líderes dos vários partidos que integram a MUD, a candidatura de Capriles estava sendo posta em dúvida pelos membros da aliança. Ramón Avelledo, secretário-geral da coalizão, declarou que as discussões tinham de ser feitas com base não em um nome, mas em propostas para a campanha e para o governo.

"É preciso lembrar que a MUD é formada por agrupações de doutrinas e ideologias diferentes, que vão da esquerda a ultradireita, e agrupa sob o mesmo guarda-chuva rivais históricos como o Copei e a Ação Democrática, que durante décadas se alternaram no poder na Venezuela", afirmou ao Estado um diplomata estrangeiro que tem base em Caracas. "Essas facções têm um histórico de rivalidades profundas e posições muitas vezes irreconciliáveis. Nas últimas reuniões da MUD, as disputas giravam em torno até sobre os representantes de cada partido na equipe de campanha de Capriles."

A MUD foi formada com o objetivo de derrotar a máquina eleitoral chavista. Seu melhor resultado ocorreu nas eleições parlamentares de 2011, quando - em número de votos populares - praticamente empatou com o Partido Socialista Unido da Venezuela. A distribuição proporcional das cadeiras, porém, permitiu ao PSUV conservar a bancada majoritária da Assembleia Nacional.

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