Divisão reduz chances de Cameron

Mesmo à frente na soma dos votos, conservadores correm o risco de ter bancada reduzida no [br]Parlamento britânico

Andrei Netto, O Estado de S.Paulo

28 de abril de 2010 | 00h00

A hipótese cada vez mais forte de divisão do Parlamento britânico em três forças políticas - trabalhistas, conservadores e liberais - nas eleições do dia 6 vem reduzindo as chances do líder das pesquisas, David Cameron. Primeiro lugar na soma nacional dos votos, o candidato conservador obteria apenas a segunda maior bancada no Legislativo caso a eleição fosse hoje.

Encurralado, o conservador aumentou o tom das críticas ao fenômeno Nick Clegg, líder do Partido Liberal. A virada no tom da campanha dos conservadores tornou-se mais nítida nos dois últimos dias, quando Cameron repetiu as advertências sobre os riscos causados pela divisão do Parlamento.

O tema tornou-se central a nove dias das eleições, em especial depois que Clegg negou e depois a admitiu a possibilidade de formar um governo de coalizão com os trabalhistas após a votação, ainda que não sob a liderança do premiê Gordon Brown.

Desde então, Cameron e seus assessores diretos se alternam em alertas contra a divisão do Parlamento, criticando a candidatura do liberal. Os conservadores vendem a imagem de que não são apenas uma alternativa aos trabalhistas, mas contra "o imobilismo". "Se tivermos um Parlamento permanentemente em suspenso, ou uma coalizão permanente, não teremos um governo forte, com autoridade e poder de decisão", disse Cameron.

Os alertas têm como objetivo neutralizar o crescimento da candidatura de Clegg, que vem minando as chances dos conservadores e aumentando a possibilidade de que Brown, que oscila entre o segundo e o terceiro lugares nas pesquisas, siga no poder. Um estudo divulgado ontem pelo instituto YouGov deu aos conservadores 33% dos votos, à frente dos trabalhistas, com 29%, e dos liberais, com 28%.

Pelo sistema distrital, a atual configuração dos votos indica que os trabalhistas teriam a maior bancada no Parlamento, com 282 assentos, à frente dos conservadores, que elegeriam 247 deputados. Mesmo com a menor bancada, formada por 90 deputados, os liberais seriam o fiel da balança.

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