Divórcio é um dos 'grandes sofrimentos da Igreja hoje', diz Papa

Bento XVI foi questionado durante VII Encontro Mundial das Familias sobre eucaristia e absolvição após separação

José Maria Mayrink ,

03 de junho de 2012 | 18h05

MILÃO - Um casal de psicoterapeutas brasileiros dirigiu a Bento XVI a pergunta mais delicada para a Igreja no sábado à noite, quando representantes de alguns dos 153 países que participaram do VII Encontro Mundial das Familias, em Milão, se reuniram com o papa na Festa dos Testemunhos, um dos pontos altos da programação de três dias.

Os brasileiros, identificados apenas pelo sobrenome Araújo, que trabalham na assistência a divorciados, pediram a orientação de Bento XVI para enfrentar o desafio de atrair para a vida cristã os casais que, vivendo em segunda união, não podem receber a eucaristia (comunhão) nem a absolvição pela penitência (confissão). Como não admite o divórcio, a Igreja exige que os recasados se separem para participar dos sacramentos.

"Este problema é um dos grandes sofrimentos da Igreja de hoje e não temos receitas simples", respondeu Bento XVI, acrescentando que "é muito importante a prevenção, isto é, aprofundar-se, desde o início do namoro, numa decisão profunda e madura". O papa disse ainda que as paróquias e outras comunidades católicas "devem fazer o possível para que (as pessoas divorciadas) se sintam amadas, aceitas, e que não estão fora, apesar de não poderem receber a absolvição nem a eucaristia".

Bento XVI insistiu na orientação atual da Igreja, ao afirmar em seguida que, embora "quem participa da Eucaristia entra em comunhão com o Corpo de Cristo, também sem a recepção do sacramento de pode estar espiritualmente unidos a Cristo". Pela interpretação das palavras do papa, a Igreja não está disposta a fazer nenhuma concessão para que os recasados participem plenamente da comunidade.

Um casal de noivos de Madagascar levantou a questão da indissolubilidade do matrimônio, ao manifestar sua preocupação em assumir um compromisso "para sempre" no altar. Bento XVI disse que "o amor garante, por si próprio, o 'sempre' no casamento", mas advertiu que, mesmo sendo belo," o sentimento do amor deve ser purificado e seguir o caminho do discernimento".

Neste domingo, o papa voltou a se referir à acolhida aos divorciados e recasados, durante a homilia na missa de encerramento do VII Encontro Mundial das Famílias. Segundo a Rádio Vaticano, mais de um milhão de pessoas participaram da cerimônia. Bento XVI anunciou que o próximo encontro será na cidade de Filadélfia, nos Estados Unidos, em 2015.

 

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