Divulgada foto de Pinochet com líder neonazista

Uma foto divulgada hoje pela imprensa chilena, que mostra Augusto Pinochet ao lado de Harmut Hopp, líder da colônia Dignidad - uma entidade nazista criada por alemães no início dos anos 50 - poderia confirmar que o regime do ex-ditador esteve vinculado com autoridades do enclave neonazista. A foto se encontrava pendurada no escritório particular do médico, um dos principais líderes da colônia, situada a 350 km ao sul de Santiago. O documento foi obtido com exclusividade pelo jornal El Centro, de Talca, uma cidade a 250 km ao sul da capital chilena, que o publicou hoje em sua página na internet. Em sua nota, o diário diz que a fotografia foi tirada "no final de 1987", quando Pinochet ainda governava o Chile, acrescentando que "o antecedente se soma a relatos que confirmam vínculos entre o regime militar da época e a sede da colônia Dignidade". A informação está sendo investigada pelo juiz Juan Guzmán, que processa Pinochet como acobertador de 57 homicídios e 18 seqüestros perpetrados pela Caravana da Morte em outubro de 1973, dias depois do golpe militar chefiado pelo ex-ditador, que hoje goza de liberdade sob fiança. Guzmán tentou em vão encontrar provas concretas de que a colônia neonazista foi usada como centro de detenção, torturas e assassinatos de militantes esquerdistas nos dias que se sucederam ao golpe de setembro de 1973. A foto agora encontrada poderia comprovar o "nexo entre Pinochet e os máximos dirigentes do enclave alemão", como indica El Centro, e poderia ajudar a estabelecer uma relação com casos de detidos desaparecidos. Na fotografia, aparecem um sorridente Pinochet ao lado de Hopp e de uma terceira pessoa. O jornal descartou que o terceiro seja Paul Scheffer, um líder da colônia Dignidade que está foragido há mais de quatro anos da Justiça chilena, que o procura sob a acusação de abuso de menores. O jornal assegura ainda que havia "uma amizade pessoal entre os dirigentes alemães e a família do líder militar", e que "os nexos entre setores políticos e sociais ligados ao regime militar remontam a dias anteriores a 11 de setembro de 1973".

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