Nelson Chenault/USA Today Sports
Nelson Chenault/USA Today Sports

Do esporte ao cinema, os ecos do movimento #BlackLivesMatter

Após o homicídio de George Floyd, protestos contra a brutalidade policial e o racismo geraram uma onda de solidariedade

Redação, O Estado de S.Paulo

18 de junho de 2020 | 03h00

Liderados pelo movimento #BlackLivesMatter após a morte do afro-americano George Floyd, os protestos contra a brutalidade policial contra os cidadãos negros nos Estados Unidos e o racismo no geral geraram uma onda de solidariedade.

Empresas, organizações e personalidades de todos os segmentos ampliaram as declarações em apoio ao movimento e refletiram sobre o próprio tratamento em relação às minorias, enquanto trabalhadores negros relataram nas redes sociais a discriminação que já sofreram. 

Há "um consenso crescente" sobre a necessidade de enfrentamento do racismo na sociedade americana, analisa Andra Gillespie, diretora do Instituto de Estudos Raciais da Universidade Emory, na Georgia, para quem esses testemunhos lembram os do movimento #MeToo, que foi desencadeado pelo caso envolvendo o produtor cinematográfico Harvey Weinstein, em 2017.

No entanto, serão necessários meses, ou anos, para saber se essas expressões de solidariedade "são apenas palavras vazias, ou se podem gerar mudanças substanciais", ressalta Gillespie.

Aqui estão os segmentos, nos quais o movimento teve mais eco: 

Da NBA à Nascar

O jogador da NBA LeBron James foi um dos primeiros a reagir à morte de Floyd. Ele criou uma associação para convencer os eleitores negros a irem em massa às urnas nas eleições presidenciais marcadas para 3 de novembro.

Outra lenda da NBA, Michael Jordan, anunciou uma doação de US$ 100 milhões para organizações que trabalham pela igualdade racial e justiça social.

Um total de 1.400 membros das ligas esportivas americanas - incluindo o jogador de futebol Tom Brady - enviou uma carta ao Congresso, exigindo o fim da impunidade policial. 

O chefe da NFL, Roger Goodell, disse que "errou" por não ouvir os jogadores antes e incentivou as equipes a recrutarem o quarterback Colin Kaepernick. Sua presença foi banida dos estádios por ter denunciado a brutalidade policial no passado, ao se ajoelhar toda vez que ouvia o hino nacional antes de um jogo.

O campeonato automobilístico da Nascar proibiu as bandeiras confederadas em seus circuitos, ainda muito presentes no sul do país. 

Depois da Nike, que usou o rosto de Kaepernick em um anúncio em 2018, a alemã Adidas prometeu que 30% de suas novas contratações nos Estados Unidos serão de negros, ou de latinos.

Anna Wintour questionada

Os protestos provocaram uma intensa reflexão e até demissões em muitas redações, de maioria branca. 

O responsável pelas páginas de opinião do jornal The New York Times renunciou após a publicação de uma coluna que sugeria o envio de militares para as manifestações. 

O editor-chefe do jornal The Philadelphia Inquirer deixou o cargo, após uma manchete que colocava violência policial e vandalismo no mesmo nível.

O poderoso grupo editorial Condé Nast se viu no olho do furacão. Após a renúncia do editor-chefe da Bon Appétit, acusado de incentivar o racismo na revista, houve rumores sobre a renúncia da "papisa da moda" Anna Wintour, diretora da Vogue e também diretora artística do grupo editorial, que deveria se desculpar por "não ter feito o suficiente" por seus colaboradores negros.

"E o Vento Levou" com explicações

Amazon e Netflix criaram destaque para filmes e séries em seus catálogos de atores e diretores negros.

A HBO Max retirou de seu catálogo E o Vento Levou (1939), vencedor de oito estatuetas do Oscar, considerado um filme repleto de preconceitos raciais, e anunciou que voltará a distribuí-lo com uma introdução com explicação histórica.

A diretora negra Ava DuVernay, conhecida por seus filmes contra o racismo, foi convidada para integrar o comitê diretor do Oscar, que agora conta com 12 pessoas negras em um total de 54. /AFP

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