Reprodução
Reprodução

Do New Deal ao plano de Biden, os estímulos econômicos nos EUA

O plano de ajuda de US$ 1,9 trilhão do presidente Biden busca reativar a economia americana, em plena crise em decorrência da covid-19, e é o mais recente de uma longa lista de estímulos promovidos por líderes do país para superar crises

Redação, O Estado de S.Paulo

10 de março de 2021 | 21h45

WASHINGTON - O plano de ajuda de US$ 1,9 trilhão do presidente Joe Biden, aprovado nesta quarta-feira, 10, pelo Congresso, busca reativar a economia americana, em plena crise em decorrência da covid-19, e é o mais recente de uma longa lista de estímulos promovidos por líderes do país para superar crises. Confira alguns dos planos aprovados na maior economia do mundo.

New Deal 

A história recente dos estímulos econômicos dos Estados Unidos começou após a quebra do mercado financeiro de 1929, que destruiu metade do valor da Bolsa de Valores de Nova York e é vista como o gatilho para a Grande Depressão.

Com quase um em cada quatro americanos desempregado, Franklin D. Roosevelt chegou à Casa Branca em 1933 e lançou o New Deal, um programa de empréstimos e gastos de magnitude sem precedentes.

O plano incluiu programas amplamente financiados pelo governo para criar empregos em setores como serviços públicos e artes.

Como parte desse projeto, a Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos e o Federal Deposit Insurance Corporation foram criados para regular os bancos e as operações do mercado financeiro.

A crise econômica dos Estados Unidos não parou, entretanto, até a grande mobilização causada pela 2ª Guerra.

Cortes de impostos de Ford e Reagan 

Os presidentes republicanos Gerald Ford e Ronald Reagan decidiram cortar impostos quando os EUA entraram em recessão nas décadas de 70 e 80, mas com abordagens e resultados diferentes. 

Para impulsionar o consumo durante a recessão de 1974 e 1975, Ford se voltou para os créditos fiscais e aumentou as deduções fiscais que, de acordo com o think tank Economic Policy Institute (EPI), desencadeou uma recuperação impulsionada pelo consumo.

Reagan, que assumiu o poder em 1981, pediu ao Congresso que cortasse impostos antes que o país entrasse em recessão meses depois. O presidente argumentou que a medida aumentaria o investimento e o consumo, permitindo o crescimento econômico.

O EPI considera que os cortes de impostos de Reagan visavam os mais ricos e não foram acompanhados por outras medidas de estímulo, como uma extensão dos auxílios de desemprego.

A política de Reagan levou a um aumento do desemprego antes do fim da recessão em 1983, embora, de acordo com o EPI, a política restritiva então aplicada pelo Federal Reserve também tenha desempenhado um papel nesses eventos.

George W. Bush, devolução de impostos 

George W. Bush assumiu a Presidência com superávit orçamentário em 2001, mas pouco antes de os Estados Unidos entrarem em recessão. No mesmo ano em que assumiu o poder, ele reduziu os impostos para todos os cidadãos do país e o fez novamente em 2003. 

O governo também fez restituições de impostos aos contribuintes, uma prévia dos cheques de estímulo dos anos mais recentes.

Os cortes de impostos de Bush estavam programados para expirar em 2010, mas depois de algumas disputas entre democratas e republicanos no Congresso, um acordo em 2012 manteve cerca de 82% deles permanentemente, de acordo com o Centro de Orçamento e Prioridades Políticas.

O think tank The Tax Foundation atribui a Bush a convicção de que a classe média deve pagar um nível menor de impostos, ideia que sobreviveu ao fim de sua presidência em 2009.

Bush e Obama na Grande Recessão 

Antes de Bush deixar o cargo, o país foi atingido por uma combinação de catástrofes financeiras e imobiliárias que se tornaram a crise financeira global de 2008.

Em seus últimos meses no cargo, Bush assinou uma lei de estímulo de US$ 152 bilhões, dos quais dois terços eram de cheques de estímulo direto aos americanos.

Com o agravamento da crise após sua posse em 2009, Obama supervisionou a aprovação de um plano de US$ 831 bilhões que incluía cortes de impostos, gastos com infraestruturas, ampliação dos auxílios de desemprego, ajuda aos estados e um número limitado de cheques de estímulo, todos com o objetivo de conter demissões e incentivar contratações.

Essas medidas, entretanto, não foram suficientes para conter a crise, e alguns setores da economia levaram anos para se recuperar dos danos da recessão.

Pandemia de covid-19 

Como a pandemia de covid-19 desencadeou a maior recessão desde a Grande Depressão, o presidente Donald Trump assinou um plano de ajuda de US$ 2,2 trilhões em março de 2020.

A medida incluiu o envio de cheques de estímulo de até US$ 1.200 para cada americano, a expansão da rede de seguro-desemprego e a oferta de empréstimos e subsídios para pequenas empresas.

A lei foi pensada para lidar com as consequências da pandemia, mas conforme a crise se arrastava, o Congresso teve  de aprovar outro plano de US$ 900 bilhões em dezembro, que incluía cheques de estímulo no valor de US$ 600 e uma extensão do seguro-desemprego e auxílio a pequenas empresas.

Ao assumir o cargo em 2021, Biden instou o Congresso a aprovar seu programa de US$ 1,9 trilhão, argumentando que era necessário para sustentar a recuperação.

Agora, o "plano Biden" manterá muitos dos programas anteriores, reforçará a campanha de vacinação contra a covid-19, distribuirá cheques de até US$ 1.400 para muitos americanos e fornecerá ajuda a governos estaduais e locais com problemas de liquidez./AFP 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.