Do outro lado do bairro, uma vida quase normal

A Ilha de Manhattan, mais conhecida região de Nova York, estava dividida em dois mundos completamente diferentes ontem. Um iluminado, ao norte da Rua 29, e outra no escuro, ao sul dessa divisão.

NOVA YORK, O Estado de S.Paulo

31 de outubro de 2012 | 02h01

Em bairros como Chelsea, West Village, Tribeca, Soho e Battery Park, entre os mais caros da cidade e localizados na parte sul de Manhattan, não havia energia elétrica e muitas vezes nem sequer sinal de celular. Farmácias fechadas, lojas protegendo suas vitrines e até mesmo um homem usando um esquecido orelhão porque o celular não pegava.

Na maior parte desta região sofisticada, não havia mais inundação. Mas as ruas estavam repletas de galhos de árvore e dezenas de milhares de pessoas não podiam retornar para suas casas. O desespero tomava conta de algumas galerias de arte de Chelsea, como a Robert Frank, onde algumas obras foram atingidas.

Uma menina ficou surpresa ao ser informada da normalidade ao norte da Rua 29. "É verdade? Como assim? Achei que a cidade toda estivesse sem luz", afirmou em uma Rua do West Village. Outros, sabendo da diferença, ligavam para amigos na parte norte. Foi o caso da advogada Tereza Rezende, do Chelsea. Depois de passar a noite em um hotel com o marido, conseguiu abrigo em um apartamento na área do Lincoln Center.

Nas áreas ao redor do Central Park, tirando a falta de transporte público, a vida era quase normal. Academias abriram as portas. O cinema do Lincoln Center começou a exibir filmes a partir das 13 horas. Muitos restaurantes funcionaram, assim como quase todos os restaurantes e supermercados. A situação era parecida nos quarteirões próximos ao Times Square.

Garçons e porteiros dos prédios diziam que foi montado um esquema para eles poderem voltar para as suas casas em lotações ou até mesmo dormirem em quartos provisórios montados em seus lugares de trabalho.

A designer brasileira Karla Faria Lima, moradora de Astoria, um bairro brasileiro no Queens, outra região de Nova York, afirmou que ali tudo também estava normal. "O restaurante Copacabana e o supermercado estavam cheios de gente", afirmou ao Estado. / G.C.

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