Doação de brasileiros ainda aguarda transporte ao Haiti

Passados mais de 40 dias do terremoto que matou cerca de 230 mil haitianos, centenas de toneladas de suprimentos doados por brasileiros ainda se encontram presos em armazéns pelo País. O plano seria concentrar as doações no Rio de Janeiro para, então, enviá-las a Porto Príncipe. No entanto, funcionários de várias organizações afirmam que não está claro como e quando os suprimentos serão embarcados ao país caribenho. Mais: há o temor de que as doações nunca cheguem ao Haiti e apodreçam estocadas.

AE, Agencia Estado

22 de fevereiro de 2010 | 08h17

No Recife, por exemplo, 217 toneladas de alimentos arrecadados ainda estão parados no 7º Depósito de Suprimentos do Exército. Cerca de 58 toneladas já haviam sido enviadas ao Rio em uma operação conjunta dos Correios e da Aeronáutica. Mas 75 toneladas de suprimentos prestes a atingir o prazo de validade acabaram distribuídas em 4 municípios do agreste atingidos pela seca. O tenente-coronel Ivan Ramos, da Defesa Civil de Pernambuco, afirmou que "nem um quilo" das doações será desperdiçado. A ideia é doar na região o que não for enviado a tempo.

A Defesa Civil de São Paulo decidiu não receber mais alimentos e objetos, temendo que o material nunca chegue ao Haiti. A instituição só aceita doações de empresas, que devem se cadastrar e assumir a responsabilidade pela embalagem e armazenamento dos itens até que sejam liberados, no Rio, para seguir para Porto Príncipe. Pessoas físicas só podem doar mantimentos às vítimas de enchentes no Estado de São Paulo.

Envio

A Cruz Vermelha, que concentra suas ações em Brasília, também decidiu parar de receber doações materiais. A organização estimula o envio de auxílio em dinheiro, por meio de depósito em conta corrente. "O problema não está no transporte para o Rio, mas na capacidade de se enviar para o Haiti", explica o major Osni Bertolini, da Defesa Civil do Paraná.

Em Curitiba, 50 toneladas de produtos destinados às vítimas haitianas estão no armazém da Companhia de Desenvolvimento Agropecuário do Paraná (Codapar). "Por enquanto, está tudo dentro do prazo de validade", afirma Bertolini. "Mas, se chegar perto da data de vencimento, vamos ter de distribuir." As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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