Doações de outros países são proibidas

WASHINGTON

Denise Chrispim Marin, O Estado de S.Paulo

21 de julho de 2011 | 00h00

A doação de governos estrangeiros para as campanhas eleitorais dos EUA é proibida. Por meio do Conselho Americano da Caxemira, o ISI, principal agência de inteligência paquistanesa, teria direcionado US$ 100 mil ao ano em doações para candidatos nas eleições americanas - incluindo US$ 250 para a campanha do presidente dos EUA, Barack Obama, em 2008.

O mecanismo de doações seria indireto. Zaheer Ahmad teria montado uma rede de dez contribuintes de fachada para fazer chegar aos candidatos a doação da organização. O desgaste da confiança dos EUA no Paquistão chegou ao ápice no episódio da execução do líder da Al-Qaeda, Osama Bin Laden, em Abbottabad, cidade próxima a uma base militar.

Agora, o Paquistão envolveu-se em um caso de polícia, como financiador de atividades ilegais nos EUA. O dossiê do FBI enviado à Justiça americana tornou-se um atrito a mais na relação bilateral, prejudicada por sucessivas demonstrações de dubiedade do governo paquistanês em sua cooperação com os EUA na guerra contra o Taleban e a Al-Qaeda.

Ontem, como reflexo desse quadro, o Comitê de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados aprovou uma lei para cortar a ajuda militar dos EUA ao Paquistão, ao Egito, ao Iêmen, ao Líbano e à Autoridade Palestina.

Tensão. Embora dificilmente sobreviva a uma votação no Senado, onde os democratas são maioria, o projeto demonstra a ampla insatisfação da Câmara com a atitude pouco cooperativa de Islamabad. No início de julho, como advertência, Washington anunciou a suspensão de US$ 800 milhões dos US$ 2 bilhões desembolsados anualmente em ajuda militar ao Paquistão.

No dia 13, o diretor da ISI, Ahmad Shuja Pasha, reuniu-se com funcionários da CIA e da área de segurança nacional dos EUA em uma tentativa de resgatar parte da confiança na cooperação bilateral em ações de contraterrorismo. Os US$ 800 milhões para o Paquistão, no entanto, continuam suspensos.

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