Doações em Lima chegam a desabrigados após 30 horas

Esse é o tempo mínimo para triagem, embalagem e transporte aéreo até Pisco

Pisco, Peru, O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2022 | 00h00

As doações que os peruanos de Lima levaram ao posto no Estádio Nacional no domingo à noite chegaram ao primeiro desabrigado de Pisco, a pouco mais de 250 quilômetros da capital, nas primeiras horas da manhã de ontem. Pode parecer muito tempo, mas esse período de aproximadamente 30 horas é o mínimo necessário para que milhares de voluntários embalem as doações separadamente - alimentos, medicamentos, cobertores, roupas e água - e os caminhões da Defesa Civil as recolham, antes de levá-las ao Grupo Aéreo nº 8, a base aérea de Lima, e embarcá-las nos aviões que partem para a base de Pisco. O Estado acompanhou parte desse desafio logístico, do embarque da carga em Lima até sua chegada aos "albergues" - como o governo denomina os grandes campos de desabrigados - da devastada cidade de Pisco. A chegada dos caminhões a essas áreas tem sido saudada com aplausos pelas vítimas, que só começaram a receber as doações na manhã de sexta-feira, cerca de 36 horas depois do terremoto que destruiu a cidade.Ainda há povoados mais distantes da região da costa sul do Peru onde a ajuda chega mais lentamente. "Vários batalhões de engenheiros do Exército estão trabalhando dia e noite para recuperar as estradas que dão acesso a esses vilarejos e acelerar a distribuição da ajuda", disse o comandante Ramón Arce, que coordena a ponte aérea de emergência entre Lima e Pisco. Arce atribui as reclamações de muitos dos desabrigados dessas áreas mais remotas à "extrema necessidade" das vítimas do terremoto. "Quando uma pessoa desesperada tem fome, ela quer que o alimento chegue o mais rápido possível. O problema é que às vezes esse ?mais rápido possível? demora um pouco." A reportagem embarcou no Hércules C-130 emprestado pela Força Aérea da Colômbia que levou cerca de 5 toneladas de ajuda à população de Pisco. Nos últimos dias, 130 desses vôos decolaram de Lima e levaram mais de 500 toneladas de doações aos desabrigados. Na volta, trouxeram feridos e parentes de moradores da área de desastre que foram visitá-los e reconhecer corpos. Cada avião fica no solo em Lima por cerca de duas horas, tempo para que todos os passageiros vindos de Pisco desembarquem e a carga de ajuda humanitária seja embarcada. Em média, desde sexta-feira, sai um vôo a cada 1 hora e 10 minutos.Depois de chegar a Pisco, a carga é submetida a uma triagem feita na base aérea. Esse processo, segundo as autoridades, demora cerca de três horas. O caminhão que o Estado acompanhou, carregado de água mineral, destinava-se ao "albergue" da Vila Túpac Amaru, na área rural de Pisco.Diferentemente do que ocorreu nas primeiras entregas de ajuda, os desabrigados agora formam filas e recebem os víveres de forma ordeira. Nos campos, crianças jogando futebol e mulheres lavando pratos, em conjunto, dão os primeiros sinais de que Pisco começa a reagir depois da tragédia.A empresa Odebrecht Peru informou ontem que suspendeu parcialmente as obras de construção da rodovia Iirsa Sur (parte do corredor interoceânico Peru-Brasil), para enviar às cidades mais afetadas pelo terremoto os veículos e equipamentos que possam ser utilizados na remoção de escombros e reconstrução de estradas essenciais para a entrega de ajuda. DOAÇÕES EM SPO Consulado do Peru em São Paulo abriu uma conta no Banco Sudameris (nº 8008561-8, agência 1793) para recebimento de doações em dinheiro. Doações de roupas, barracas e remédios podem ser encaminhadas ao galpão da Prefeitura de São Paulo na Rua Sobral Júnior, 264, Vila Maria, das 8 às 18 horas.

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