Doadores prometem mais de US$ 5 bi em ajuda ao Paquistão

Em conferência, Japão e EUA doam US$ 1 mi cada um para aliviar economia do país; Índia não participou

Efe,

17 de abril de 2009 | 10h09

O Paquistão assegurou nesta sexta-feira, 17, em Tóquio US$ 5,280 bilhões para aliviar seu balanço de pagamentos, afiançar a segurança e combater a pobreza, apoio que chega após os US$ 7,6 bilhões outorgados pelo Fundo Monetário Internacional (FMI). A conferência de doadores para o Paquistão, organizada pelo governo japonês e pelo Banco Mundial (BM), terminou com o compromisso para os próximos dois anos, de 31 países e 18 organizações internacionais, do qual a maior parte corresponde a US$ 1 bilhão dos Estados Unidos e outro bilhão do Japão.

 

Os reunidos, com a visível ausência da Índia, enviaram no comunicado final "um forte apoio internacional" para o governo de Ali Asif Zardari e "sua estratégia de desenvolvimento", apesar de expressarem "preocupação" pela segurança no país asiático, que divide a fronteira com o Afeganistão e vive contínuos atentados terroristas. "Se nós perdemos, o mundo perde", disse Zardari, viúvo da ex-premiê assassinada Benazir Bhutto, no início da conferência, quando insistiu em que seu país, uma potência nuclear com 170 milhões de habitantes, está resolvido a enfrentar "o tremendo desafio" que o terrorismo representa.

 

"O resultado bem-sucedido da conferência representa uma expressão de solidariedade e um apoio político da comunidade internacional, ombro a ombro com o Paquistão na luta contra o terrorismo e o extremismo", avaliou na entrevista coletiva final o ministro de Exteriores do Paquistão, Shah Mahmood Qureshi.

 

A vice-presidente do BM para a Ásia, a chilena Isabel Guerrero, lembrou que a quantidade conseguida supera os US$ 4 bilhões que previa o Japão como mostra de "confiança" no programa econômico do Governo paquistanês, apesar de ter lhe pedido que arrecade mais impostos para evitar ser tão dependente da ajuda internacional. Guerrero disse que o propósito desses US$ 5,280 bilhões será nos próximos dois anos proteger os pobres dos efeitos macroeconômicos da crise alimentícia, da alta do preço do petróleo e da recessão econômica global.

 

No comunicado final, a conferência de doadores para o Paquistão explicou que o dinheiro arrecadado, que soma US$ 15 bilhões previamente comprometidos, darão "apoio adicional" à rede de seguridade social, desenvolvimento humano e despesas contra a pobreza. Desses fundos, a maior quantidade corresponde a Japão e EUA, com US$ 1 bilhão cada um, que serão desembolsados nos próximos dois anos.

 

Além disso, a União Europeia (UE) comprometeu US$ 640 milhões até 2013 para programas de educação, desenvolvimento rural e energia renovável; a Arábia Saudita ofereceu US$ 700 milhões para os próximos dois anos e o Irã, surpreendentemente, pôs sobre a mesa US$ 300 milhões. "Estamos mais que satisfeitos com a bem-sucedida conclusão da conferência, estamos encantados", dizia na entrevista coletiva final o ministro Qureshi.

 

O governo paquistanês tinha viajado para Tóquio com a esperança de cobrir o buraco das contas públicas que em 2008 o levou perto da quebra, antes de o FMI ter acudido a seu resgate em novembro com um empréstimo de US$ 7,6 bilhões que o obrigará a ajustes macroeconômicos. A comissária europeia de Exteriores, Benita Ferrero-Waldner, destacou, como muitos outros participantes, que "o terrorismo, o extremismo e o radicalismo" enfrentado pelo Paquistão dentro de suas fronteiras "é o inimigo de todos nós".

 

Referiu-se também ao "excelente" ambiente da conferência e à mudança de estilo e conteúdo do novo Governo dos EUA, representado por Richard Holbrooke, enviado especial para o Paquistão e Afeganistão, pois "não estão falando só de dedicar o dinheiro à segurança, mas também ao desenvolvimento, algo que nós estamos fazendo há muito tempo".

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