Doadores prometem US$ 1,08 bi para o Haiti

A Conferência Internacional de Doadores para o Haiti, encerrada em Washington nesta terça-feira, conseguiu que governos e entidades internacionais se comprometessem com doações e financiamentos totalizando US$ 1,085 bilhão. O dinheiro deve suprir as necessidades imediatas para reconstrução da infra-estrutura do país. Segundo uma avaliação feita pelo Banco Mundial, o Haiti precisa de investimentos urgentes de US$ 1,37 bilhão.A diretora para o Caribe do Banco Mundial, Caroline Anstey, disse que, deste total, US$ 440 milhões - do próprio tesouro haitiano e de financiamento já acertados anteriormente - já estavam garantidos antes mesmo do início do encontro. ?Começamos a conferência com o objetivo de arrecadar outros US$ 924 milhões, mas os países e organizações participantes se comprometeram com US$ 1,085 bilhão?, comemorou Anstey.O Brasil, que enviou tropas ao Haiti e lidera a missão de estabilização no país, ofereceu assessoria técnica, mas nenhum dinheiro.Doadores O Banco Mundial não soube informar nesta terça-feira com quanto exatamente cada doador irá colaborar - nem o que estava sendo efetivamente doado e o que se trata de financiamento.Alguns doadores, porém, divulgaram o valor da colaboração para o programa de reconstrução do Haiti.O Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) se comprometeu com US$ 460 milhões, entre recursos novos e financiamentos que já estavam em curso. A Comissão Européia ofereceu outros US$ 325 milhões, e o Banco Mundial deve fornecer US$ 125 milhões. Por sua vez, o secretário de Estado dos Estados Unidos, Colin Powell, informou que os americanos vão doar outros US$ 140 milhões.As verbas que serão oferecidas agora ao Haiti devem ser usadas em um programa de investimentos que vai até o início de 2006. ?Estes são recursos para uso do governo provisório (que substituiu o presidente Jean-Bertrand Aristide em fevereiro deste ano) até que sejam realizadas as eleições em fevereiro de 2006?, explicou Anstey. A diretora do Banco Mundial explicou que uma comissão vai rever a cada seis meses o uso do dinheiro.JovensGrupos ligados a ONGs que trabalham no Haiti, no entanto, se mostraram preocupados com o risco de os recursos serem mal distribuídos, devido ao clima político ainda muito incerto no país. O partido do ex-presidente Aristide, o Família Lavalas, ainda tem grande peso na sociedade haitiana, mas não está representado no governo. Segundo alguns analistas, isso pode dificultar o trabalho de distribuição.Segundo a coordenadora do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) para o Haiti, Françoise Gruloos-Ackermans, mais da metade da população haitiana tem menos de 18 anos de idade. ?E como as crianças são sempre as pessoas mais frágeis em situações assim, você pode imaginar quanto trabalho vamos ter?, disse.A coordenadora disse que será ?um grande desafio? fazer o dinheiro fluir para os lugares certos em um país como o Haiti, com infra-estrutura e administração tão precárias. ?Mas existem coisas boas acontecendo e a situação esta melhorando. Temos que focar no que há de positivo acontecendo no país.?

Agencia Estado,

21 de julho de 2004 | 08h06

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.