Doadores prometem US$ 4 bi para vacinação de crianças

Doadores prometeram hoje mais de US$ 4 bilhões para a Aliança Global para Vacinação e Imunização (GAVI, na sigla em inglês) a fim de ajudar a proteger milhões de crianças de doenças como o sarampo, a pneumonia e a febre amarela.

AE, Agência Estado

13 de junho de 2011 | 19h41

Em uma conferência realizada hoje em Londres, o primeiro-ministro britânico, David Cameron, anunciou que a Grã-Bretanha vai contribuir com 814 milhões de libras (US$ 1,3 bilhão) até 2015. A Austrália anunciou ontem que se comprometeria com US$ 211 milhões para a instituição e a Fundação Bill e Melinda Gates declarou que doaria mais de US$ 1 bilhão à causa.

A GAVI é uma junção de organizações como a Fundação Gates, a Organização Mundial da Saúde (OMS), o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e grandes fabricantes de vacinas, entre outros. O grupo compra injeções para os países mais pobres do mundo e estima que cerca de 2 milhões de crianças morrem a cada ano por causa de doenças que poderiam ser evitadas com apenas uma vacina.

"Hoje é um dia importante para nosso compromisso coletivo de proteger as crianças dos países em desenvolvimento", disse a presidente da Libéria, Ellen Johnson Sirleaf, em nota.

Daniel Berman, especialista em vacinas dos Médicos Sem Fronteira (MSF), disse que foi emocionante ver que tanto dinheiro tenha sido prometido e que tantas vidas possam ser salvas. Mas ele questionou se os milhões dos contribuintes serão gastos de maneira correta.

Executivos de grandes empresas de vacinas fazem parte dos conselhos da GAVI e influenciam suas políticas de compras. Os laboratórios GlaxoSmithKline e Pfizer ganham um subsídio de US$ 225 milhões cada para produzir vacinas contra a pneumonia - compradas pela GAVI por US$ 3,50 a dose.

Os subsídios são usados para convencer os fabricantes a produzirem injeções que normalmente não são lucrativas. Mas, em 2008, o relatório da Pfizer contabilizava cerca de US$ 3 bilhões em vendas da vacina. "Por que damos dinheiro às grandes farmacêuticas?", questionou Berman. "Isso apenas ressalta o conflito de interesses e os lucros corporativos sobre nós".

As autoridades sanitárias esperam vacinar mais de 250 milhões de crianças, salvando cerca de 4 milhões de vidas nos próximos anos. "Pela primeira vez na história, as crianças de países em desenvolvimento vão receber as mesmas vacinas contra diarreia e pneumonia que as dos países ricos", disse Bill Gates, copresidente da Fundação Gates, em uma declaração. "Juntos podemos fazer mais para garantir que todas crianças - não importa onde vivam - tenham acesso igualitário a vacinas que salvam vidas."

Já foram feitas pesquisas sobre se as vacinas compradas pela GAVI realmente chegam às crianças que precisam delas. Há vários anos, um estudo publicado no jornal especializado The Lancet mostrou que os países em desenvolvimento exageravam nos dados sobre quantas crianças eram vacinadas contra doenças fatais, permitindo assim que recebessem mais dinheiro da GAVI. Os pesquisadores afirmaram que apenas metade das crianças anunciadas pelos países eram imunizadas. Outros especialistas alertaram que mais dinheiro não resolveria o problema e que doar vacinas a países com sistemas de saúde falidos pode significar que elas acabem presas em depósitos.

"Temos que estar conscientes do fato de que o investimento em vacinas não é a resposta mágica para os problemas de saúde como pneumonia e diarreia", disse Sophie Harman, especialista em saúde pública da Universidade da Cidade, em Londres. "Sem compromisso de financiamento adequado com a infraestrutura da saúde (...), qualquer investimento em vacinas será redundante". As informações são da Associated Press.

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