EFE/Prensa Mirfaflores
EFE/Prensa Mirfaflores

Sistema de votação não reconhece documento de Maduro em eleição da Constituinte

Presidente ficou em uma saia-justa ao ver que o aparelho que escaneou seu Carnê da Pátria registrou uma mensagem dizendo que a pessoa não existia

O Estado de S.Paulo

31 Julho 2017 | 10h51

CARACAS - O carnê criado pelo governo venezuelano para registrar os beneficiários de seus programas sociais - o qual seria usado para monitorar o voto na Assembleia Constituinte - não funcionou quando o presidente Nicolás Maduro tentou utilizá-lo, o que o deixou em uma saia-justa.

"Vamos fazer a verificação do meu Carnê da Pátria para que fique registrado que eu vim votar. Que meu Carnê fique marcado para toda vida que votei no dia histórico da Constituinte", anunciou o presidente no domingo 30.

"Leu?", perguntou Maduro à mulher que escaneava os documentos com um celular. Ela respondeu que sim, mas na tela do aparelho apareceu, em seguida, uma mensagem que a desmentia: "A pessoa não existe ou o carnê foi anulado". A imagem foi captada por uma câmera de televisão do governo e viralizou nas redes sociais.

O Carnê da Pátria é dotado de um "QR code" (similar a um código de barras), que armazena informação pessoal do usuário e permite, entre outras coisas, adquirir alimentos subsidiados. A oposição acusa o governo de usar o documento como um mecanismo de controle social para fins políticos.

Os rivais de Maduro não perderam tempo e usaram o episódio para voltar a pedir que os beneficiários dos programas sociais não votassem, alegando que não seriam descobertos.

"O sistema não funciona e, se você for funcionário público, não podem saber se você votou ou não", disse o vice-presidente do Parlamento, o opositor Freddy Guevara, em sua conta no Twitter.

Maduro havia determinado que os titulares do carnê deveriam apresentar o documento nos postos de votação para que sua participação fosse confirmada. O requisito não foi estabelecido oficialmente pelo Conselho Nacional Eleitoral CNE).

O presidente também ordenou que todos os servidores públicos fossem votar. Segundo Maduro, mais de 15 milhões de venezuelanos, de uma população total de 30 milhões, têm o carnê. / AFP

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