Documento final da Unasul vai omitir acordo entre EUA e Colômbia

Falta de consenso impede inclusão de parágrafo condenando uso de bases militares colombianas pelos EUA

Denise Chrispim Marin, QUITO, O Estadao de S.Paulo

10 de agosto de 2009 | 00h00

A declaração final que os líderes da União de Nações Sul-americanas (Unasul) assinam hoje em Quito vai omitir a polêmica em torno da futura presença americana em sete bases militares da Colômbia.Apesar das provocações e até mesmo das ameaças de guerra feitas nos últimos dias pelos países contrários ao acordo, sobretudo pela Venezuela, não houve consenso da Unasul em torno da proposta da Bolívia de inclusão de um parágrafo de "rechaço" ao acordo Estados Unidos-Colômbia. Ontem, representantes de Colômbia, Equador, Bolívia, Brasil e Chile tentavam fechar um documento à parte da declaração final sobre a polêmica envolvendo as bases militares colombianas. Essa foi a solução encontrada para o protesto da Bolívia sobre a polêmica parceria EUA e Colômbia na área militar. O documento paralelo, no entanto, não citará textualmente as bases - fala apenas em buscar "soluções pacíficas para problemas regionais nas áreas de segurança e defesa". A omissão do acordo militar EUA-Colômbia no documento final representa uma derrota para os países bolivarianos (Venezuela, Bolívia e Equador).Em seu programa dominical de TV, Chávez afirmou que pedirá, durante a 3ª Reunião de Cúpula da Unasul, que cada país latino-americano faça um protesto contra "essa ameaça". O pedido de Chávez, entretanto, tende a se circunscrever ao círculo de países bolivarianos. Os governos do Chile, Uruguai, Paraguai e Peru já consideraram a questão das bases como um assunto interno e soberano da Colômbia. "Ao assinar esse acordo, a Colômbia terminará como uma colônia do império", insistiu Chávez. "O império vai mandar às suas costas e, sobretudo, aumentará a grande ameaça contra nós."Mesmo ausente da cúpula de Quito - que transcorrerá em um período de apenas 1h20 nesta manhã -, o presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, será o centro do encontro formal e das conversas de bastidor. Deverá também ser o principal alvo de ataques dos líderes bolivarianos, que acompanharão o presidente do Equador, Rafael Correa, em um evento popular que celebra o início de seu segundo mandato, na tarde de hoje.RESISTÊNCIAO principal responsável por impedir o consenso da Unasul sobre o rechaço ao acordo EUA-Colômbia será um representante enviado por Bogotá.Uribe não permitiu nem mesmo a ida do seu chanceler, Jaime Bermúdez, que seria o substituto natural do presidente e deveria estar presente, ontem, à reunião de Conselho de Ministros da Unasul. Desde março do ano passado, as relações diplomáticas entre a Colômbia e o Equador estão rompidas. A decisão foi tomada por Quito depois que o Exército colombiano atacou um acampamento das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) em território equatoriano. A Venezuela também congelou suas relações com a Colômbia, em função das acusações de Bogotá de que Caracas teria fornecido armas às Farc.Na condição de presidente temporário da Unasul, Correa vai convocar para o final de agosto uma reunião do Conselho de Defesa Sul-americano, com o objetivo de avaliar os impactos do acordo Estados Unidos-Colômbia na região. Esse organismo, entretanto, ainda não foi instalado. Para o governo Uribe, a "Unasul vai morrer" sob o comando de Correa. Outra proposta polêmica de inclusão no documento final, feita Chávez - de impor "limite ético" para os meios de comunicação -, foi suavizada para ser aprovada por outros países.No entanto, até o fechamento dessa edição, o grupo de países reunidos não havia chegado a um consenso no texto final do documento paralelo.

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