Documento revela "horror" na Diocese de Boston

Um documento sobre a Diocese de Boston (EUA), classificado de "horror" por fontes eclesiásticas, revela o vínculo de oito sacerdotes com abusos sexuais e drogas. O documento, com 2,2 mil páginas, divulgado com autorização judicial, mostra que a hierarquia da Igreja Católica americana reagiu aos escândalos apenas transferindo os sacerdotes para outras paróquias e tratando-os com gentileza, apesar da gravidade dos casos. Os escândalos vieram à tona depois da causa cívil aberta contra Paul Shanley, um padre acusado de molestar sexualmente quatro adolescentes. Donna Morissey, a porta-voz da Diocese de Boston, admitiu que as revelações do documento são "horríveis", mas esclareceu que seu objetivo é a proteção dos menores de idade. Os documentos dizem, por exemplo, que pelo menos duas mulheres acusaram o sacerdote Robert Meffan, nos anos 80 e no princípio dos 90, de ter abusado delas 25 anos antes. Elas afirmam que o padre dizia que os atos sexuais faziam parte de exercícios espirituais. Segundo o relato das mulheres, que se preparavam para entrar em um convento, Meffan dizia que elas seriam "esposas de Cristo" e que ele era o próprio Cristo em uma "segunda encarnação". Meffan, hoje com 73 anos, foi suspenso de suas funções na diocese em 1993 e se aposentou em 1996. Em 1984, ainda de acordo com o documento, médicos recomendaram que o padre Thomas Forry, acusado de ter golpeado sua empregada - com a qual mantinha relações íntimas -, fora internado por seis meses em um centro de reabilitação. Depois de uma reunião com o cardeal Bernard Law, o sacerdote foi, ao contrário, reinstalado em seu cargo na mesma paróquia de South Weymouth. O documento eclesiástico revela também que o padre Richard Buntel, da igreja de San José, em Malden, consumia maconha e cocaína, tão freqüentemente que nos anos 70 era conhecido como "o desequilibrado". Em 1994, uma vítima de Buntel pediu à diocese uma indenização de US$ 500 mil, acusando-o de forçá-lo a manter relações sexuais com ele. O ato foi gravado em vídeo por ordem dos traficantes que forneciam drogas ao padre. Segundo o documento, a igreja chegou a um acordo com o denunciante e pagou-lhe US$ 55 mil em troca de seu silêncio.

Agencia Estado,

04 Dezembro 2002 | 18h53

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