Horacio Villa Lobos/Efe-2/7/2008
Horacio Villa Lobos/Efe-2/7/2008

Documentos apontam indícios de caixa 2 em partido de Sarkozy

Ex-presidente do Gabão teria desviado dinheiro de banco para conta própria e para financiar políticos franceses

Andrei Netto, O Estado de S.Paulo

31 de dezembro de 2010 | 00h00

Despachos diplomáticos do governo dos EUA lançaram ontem mais uma suspeita de financiamento ilegal de campanhas políticas na França. De acordo com documentos revelados pelo WikiLeaks, o ex-ditador do Gabão, Omar Bongo, teria desviado recursos do Banco dos Estados da África Central (BEAC) para financiar partidos políticos na França.

O documento é mais uma de uma lista de denúncias de caixa 2 contra a União por um Movimento Popular (UMP), o partido do ex-presidente Jacques Chirac e do atual mandatário, Nicolas Sarkozy.

Segundo o telegrama, divulgado ontem pelo jornal espanhol El País, pelo menos ? 30 milhões teriam sido desviados do BEAC, segundo informações obtidas pela Embaixada dos EUA em Camarões.

Além de Bongo, morto em junho de 2009, seu filho, Ali, teria sido beneficiado pelas manobras financeiras, que teriam passado pelo banco francês Société Générale.

"Os dirigentes do Gabão utilizaram os fundos desviados para seu enriquecimento pessoal e, seguindo instruções de Bongo, enviaram uma parte do dinheiro a partidos políticos franceses", diz o texto, detalhando os beneficiários: "Os dois campos (esquerda e direita), mas sobretudo a direita, em particular Chirac, mas também Sarkozy."

Ontem, o Partido Socialista (PS) reagiu, afirmando "não se sentir implicado" pela denúncia. Já o porta-voz da UMP, Dominique Paillé, definiu as informações como "totalmente fantasiosas". O governo de Sarkozy disse que não se pronunciaria sobre as denúncias. A família Bongo disse não ter cometido irregularidades.

Os Bongos são uma das três famílias africanas sob investigação por manterem na França contas bancárias milionárias, além de mansões na Riviera e carros de luxo. Organizações como a Transparência Internacional reúnem provas das relações ilegais entre líderes franceses e africanos, no esquema conhecido como "Françáfrica".

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