Documentos complicam situação de Sarkozy

Ex-presidente da França é investigado por financiamento ilegal de campanha e pode responder a inquérito depois que expirar sua imunidade judicial

ANDREI NETTO, CORRESPONDENTE / PARIS, O Estado de S.Paulo

24 Maio 2012 | 03h09

Apenas duas semanas depois de deixar o poder, o ex-presidente da França Nicolas Sarkozy, já está no centro de uma investigação que pode resultar em condenação por financiamento ilegal de campanha eleitoral. A informação foi obtida pelo jornal Le Monde, que teve acesso a documentos sigilosos em poder dos responsáveis pelo caso.

Os papéis comprovariam o recebimento de dinheiro não declarado pelo tesoureiro do partido União por um Movimento Popular (UMP), de Sarkozy. Testemunhas confirmam as constantes visitas do ex-presidente à bilionária Liliane Bettencourt, dona da gigante de cosméticos L'Oréal.

Os investigadores basearam a apuração em gravações clandestinas de telefonemas que revelavam duas suspeitas. A primeira, de que Liliane sonegava imposto por meio de contas na Suíça, para as quais havia transferido € 78 bilhões. A segunda, de que Florence Woerth, diretora de investimentos da Clymène, uma empresa de gestão de fortunas, colaborava para o esquema. Florence era mulher de Éric Woerth, ex-tesoureiro do UMP e então ministro do Orçamento.

Woerth foi obrigado a deixar o governo e as investigações tomaram um novo rumo, abordando agora as relações entre ele e outro administrador da fortuna da bilionária, Patrick de Maistre.

Cruzando informações sobre as datas dos saques realizados por ela e as datas dos encontros entre Woerth e Maistre, o juiz de Bordeaux, Jean-Michel Gentil, concluiu que havia elementos para abrir uma investigação oficial. A partir de então, testemunhos começaram a esclarecer o caso.

De acordo com o jornal Le Monde, funcionários de Liliane relataram que, além de Woerth, Sarkozy em pessoa fazia visitas frequentes à bilionária. Alguns desses encontros eram curtos e serviam para buscar malas de dinheiro. Em 26 de abril de 2007, por exemplo, Maistre teria retirado € 400 mil em dinheiro de um banco na Suíça. No mesmo dia, o fotógrafo François-Marie Barnier anotou em seu diário uma frase de Liliane: "Maistre me disse que Sarkozy tinha pedido dinheiro mais uma vez. Eu disse sim".

De acordo com o juiz do caso, "vários depoimentos indicam uma visita de Sarkozy à casa de Liliane durante a campanha presidencial de 2007". A situação do ex-presidente se complicou porque sua imunidade judicial termina no mês que vem.

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