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ABC News/Reuters
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Documentos de Abbottabad revelam prioridades de Bin Laden pouco antes de sua morte

Agência de notícias teve acesso a documentos que foram tornados públicos e traduzidos pela CIA; fundador da Al-Qaeda tinha obsessão com segurança

O Estado de S. Paulo

20 de maio de 2015 | 15h09

WASHINGTON - Um céu carregado de nuvens para escapar dos drones e o medo de minúsculos detectores injetáveis: a segurança era uma obsessão para Osama Bin Laden, de acordo com documentos recolhidos na operação que custou a vida do líder da Al-Qaeda e foram obtidos pela agência AFP.

Essa preocupação constante com a segurança fica em evidência em boa parte da centena de papéis aos quais a AFP teve acesso, que tornaram-se públicos e foram traduzidos pela CIA, embora não tenha sido possível verificar de forma independente a origem destes documentos nem a qualidade da tradução.

Em um exemplo, em uma carta do dia 26 de setembro de 2010, Bin Laden detalhou instruções precisas para que uma de suas mulheres pudesse se reunir com ele em Abbottabad, Paquistão, sem traí-lo inadvertidamente.


"Antes que Um Hamzah chegue aqui é preciso que ela abandone tudo, incluindo roupas, livros e tudo o que possua no Irã. Tudo o que uma agulha possa penetrar", escreveu, antes de explicar que "foram desenvolvidos dispositivos para espionagem tão minúsculos que podem ser escondidos em uma seringa". 

Além disso, declarou que "como não se pode confiar nos iranianos, é possível implantar um desses dispositivos em algum dos objetos que a pessoa carregue".

Um Hamzah - a saudita Jairiah Sabar - era uma das três mulheres de Bin Laden presentes na residência em Abbottabad onde o líder da Al-Qaeda foi morto a tiros por um comando americano. Pouco depois, Hamzah foi presa por autoridades paquistanesas.

Internet. Em outros documentos aos quais a AFP teve acesso, Bin Laden explicou aos seus interlocutores a importância de estar constantemente atentos à segurança, embora isso tornasse mais difícil estabelecer as comunicações e tratar sobre as operações. "Os procedimentos de segurança em nossa situação devem ser aplicados a todo momento e não há margem para o erro", disse em outra carta, não datada.

Bin Laden desconfiava até mesmo dos médicos. "Nossa situação de segurança não nos permite ir ver um médico, de forma que, por favor, tenham cuidado com suas necessidades médicas, em especial os dentes, e guardem as receitas de cada médico porque assim poderemos conseguir a medicação quando vocês precisarem", explicou ele a um suplente.

No que se refere às comunicações pela internet, afirmou que "podemos fazê-la por mensagens muito genéricas, mas o segredo que cerca um mujahedine não lhe permite utilizá-la, os correios são o único meio".

De acordo com outra carta, um dos interlocutores de Bin Laden, identificado como Atiyah Abd al Rahman - conhecido apenas como Mahmud - reclamou que a impossibilidade de usar a internet tornava as comunicações muito difíceis.

"Isso é muito complicado. Como podemos nos corresponder com irmãos em Argélia, Iraque, Iêmen e Somália? Às vezes, não há outra alternativa se as precauções forem tomadas. Com relação ao Iraque, vamos tentar, mas é muito difícil", escreveu a Bin Laden.

Além disso, acrescentou, do ponto de vista da segurança, era de importância fundamental que seus suplentes aprendessem a falar o urdu, o idioma mais utilizado no Paquistão.

Celulares. O líder da Al-Qaeda também lembrou aos seus substitutos que era necessário destruir regularmente os cartões SIM de telefones celulares utilizados.

"Destruí todos os chips que estavam entre nós. Eu os quebrei e destruí. Uso agora chips novos. Por favor, preciso que destruam todos os chips anteriores e usem novos. Devemos fazer isso toda vez que mudemos os chips", determinou.

"Os fatos mostram que a tecnologia americana e os sistemas avançados não podem capturar um mujahedine se ele não comete violações à segurança", expressou.

Em uma carta do dia 24 de novembro de 2010, Mahmud sugeriu esperar "um céu carregado de nuvens" para enviar a mulher do chefe como forma de evitar os drones. No entanto, o próprio Mahmud foi morto em 2011 por um avião não tripulado no Paquistão, sem dúvida operado pelos Estados Unidos.

A utilização de aeronaves não tripuladas - que se intensificou com força durante o governo de Barack Obama - custou a vida de muitos militantes e de centenas de civis, e obrigou os integrantes da rede a vigiar o céu de forma constante. / AFP

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