Documentos de Kissinger passam para Casa Branca

O Departamento de Estado norte-americano anunciou ter assumido a posse de todos os documentos gerados por conversações telefônicas mantidas pelo secretário de Estado Henry Kissinger entre 1973 e 1976, anos críticos da ditadura militar no Chile. Os documentos estão reunidos em cerca de 10.000 páginas e alguns deles podem conter indícios de casos de mortos e desaparecidos durante a ditadura do general Augusto Pinochet. Nas investigações de alguns desses casos, Kissinger foi mencionado e convocado a prestar depoimento pelos tribunais de Santiago e de Paris. A passagem da jurisdição dos documentos significa que estes não poderão ser desclassificados ou colocados à disposição do público, mesmo quando solicitados por autoridades judiciárias pelos próximos 30 anos, disse o porta-voz do Departamento de Estado, Richard Boucher.Ao ser indagado sobre se havia uma razão especial para o governo americano tomar essa medida em relação a tais documentos - apenas nove dias após a Corte Suprema do Chile convocar Kissinger a prestar declarações sobre a prisão e morte do jornalista americano Charles Horman -, Boucher não deu maiores explicações, limitando-se a dizer que "houve pedidos para que se procedesse assim" por parte dos arquivos de Segurança Nacional e do próprio governo. Antes, quando visitava Paris em maio, Kissinger havia recebido uma citação judicial para depor como testemunha sobre o desaparecimento de cidadãos franceses no Chile, durante o governo de Pinochet. O porta-voz explicou que esses documentos são "transcrições de anotações de conversas telefônicas" mantidas por Kissinger quando estava no exercício do cargo, entre 1973 e 1976. O tribunal chileno propôs que o interrogatório fosse feito através de perguntas escritas que foram colocadas à disposição da Chancelaria para serem enviadas ao Departamento de Estado, que detém agora os documentos de Kissinger. Por sua vez, o advogado das famílias de franceses desaparecidos, William Bourdon, disse ter citado Kissinger porque este foi assessor de Segurança Nacional e logo em seguida secretário de Estado na época em que ocorreram os desaparecimentos. Kissinger se negou a comparecer perante o tribunal francês e a embaixada dos EUA pediu às autoridades judiciais francesas que encaminhassem suas perguntas ao governo de Washington. Segundo Boucher, Kissinger aceitou que os documentos fossem entregues ao Departamento de Estado, e passem a ser parte dos arquivos deste departamento.

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