Documentos dos EUA apontam Paquistão ajudando insurgência afegã

Relatórios secretos publicados em jornais revelam dificuldades e falhas na guerra contra o Taleban

estadão.com.br

26 de julho de 2010 | 09h02

 

WASHINGTON - Mais de 91 mil documentos secretos relacionados à guerra do Afeganistão divulgados no domingo, 25, pelo site Wikileaks.org revelam um grande crescimento da força da insurgência Taleban e que as tropas do Paquistão estão ajudando os rebeldes no território afegão.

 

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O material, publicado pelos jornais New York Times, The Guardian e Der Spiegel, revela detalhes minuciosos da guerra empreendida pelos EUA e pela Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) desde 2001 e consiste em um dos maiores vazamentos de documentos secretos da história americana.

 

Os documentos cobrem o período de janeiro de 2004, durante administração de George W. Bush, até dezembro de 2009, quando o atual presidente americano, Barack Obama, iniciou o envio de mais 30 mil soldados ao país asiático. Segundo as informações presentes nos relatórios, a insurgência Taleban, contra quem as tropas internacional lutam, ganharam força e os civis afegãos estão desapontados com o governo. Além disso, há queixas dos próprios militares dos EUA, que reclamam de empreender uma guerra sem os recursos suficientes.

 

Sobre a evolução do Taleban, os documentos citam o uso de mísseis detectores de calor pelos insurgentes. A ocasião data de 2007, quando testemunhas disseram ter visto os rebeldes usarem a arma para derrubar um helicóptero CH-47, quando sete pessoas morreram. Na época, o ataque foi reportado que a aeronave havia sido atingida por tiros de "armas de baixo calibre".

 

O governo criticou o Wikileaks por divulgar os documentos. "O site não nos contatou para divulgar os documentos. Os EUA ficaram sabendo de sua publicação por meio dos jornais", disse James Jones, assessor de segurança da Casa Branca, em um comunicado.

 

Muitos dos documentos sugerem que o serviço de espionagem do Paquistão pode estar ajudando o Taleban a planejar e realizar ataques contra as forças internacionais no Afeganistão. Alguns relatórios também apontam a cooperação dos paquistaneses com a organização terrorista Al-Qaeda.

 

Oficiais da inteligência americana dizem que há alguns anos o Paquistão cortou o contato com os grupos taleban. O material, porém, sugere que o diretório de Interserviços de Inteligência, conhecido também como ISI, pode ter ajudado os rebeldes pelo menos no passado.

 

Os documentos detalham várias ocasiões de cooperação entre o general aposentado Hamid Gul, chefe do ISI no fim da década de 80, e os insurgentes afegãos que lutavam contra os americanos nas regiões montanhosas do leste do país. Segundo eles, o general auxiliava combatentes mujaheddin e tentava estabelecer contato com Gulbuddin Hekmatyar e Jalaluddin Haqqani, dois dos maiores líderes insurgentes do Afeganistão. Além dos últimos dois, Gul também fez contato direto com Mohammed Omar, atual líder do Taleban.

 

O governo paquistanês negou as alegações. "Esses relatórios não refletem nada além de comentários e rumores de apenas uma fonte, que não considera os lados do Afeganistão e do Paquistão e geralmente se revelam falsos depois de melhor examinados", disse Husain Haqqani, embaixador do Paquistão nos EUA.

 

Boa parte do material divulgado também apresenta queixas de funcionários do governo e civis afegãos. Há reclamações sobre tropas mal equipadas, autoridades corruptas e sobre tropas americanas que parecem aguardar recursos para lutar.

 

Os documentos ainda destacam que as mortes de civis causadas por erros em operações militares alienou os afegãos. Embora o número de baixas de pessoas não ligadas à guerra tenha decaído nos últimos meses, muitas não foram registradas.

 

Os problemas evidenciados nos relatórios  - um Taleban resistente, os problemas de fronteira com o Afeganistão e um governo ineficiente - são apontados como a causa do terror da população. Outras informações presentes no material dão conta de uma força de soldados destacada para eliminar líderes rebeldes sem o direito de julgamento e de ações de corrupção por parte de agentes do governo.

 

Wikileaks

 

O Wikileaks.org é um site fundado em 2006 pelo jornalista australiano Julian Assange destinado a receber denúncias anônimas dobre documentos de alto sigilo de empresas, governo e outras organizações. O site foi o responsável pela divulgação de diversos socumentos polêmicos, como o vídeo que mostra as tropas dos EUA fuzilando civis no Iraque de um helicóptero.

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