Documentos provam ação dos EUA em golpe de 1953 no Irã

Apesar de pressão de Teerã, Washington nunca se desculpou pela destituição de Mohamed Mossadegh

Denise Chrispim Martin, Correspontente - O Estado de S.Paulo

20 Agosto 2013 | 02h01

WASHINGTON - Em 2009, em um emblemático discurso no Cairo, o presidente dos EUA, Barack Obama, mencionou o envolvimento de seu país no golpe que derrubou o então primeiro-ministro do Irã, Mohamed Mossadegh, em 19 de agosto de 1953.

O que era apenas conhecido, porém, agora está documentado pela George Washington University (GWU), na capital americana.

Outras autoridades americanas já tinham se falado sobre o assunto e Teerã nunca parou de exigir de Washington um pedido de perdão.

Valendo-se da Lei de Liberdade de Informação, um grupo de pesquisadores da GWU obteve acesso a documentos que confirmam o envolvimento da americana Agência Central de Inteligência (CIA) e do Serviço Secreto de Inteligência Britânico no golpe de Estado de 1953.

A operação foi chamada de Projeto TPAJAX.

Ambos os organismos de espionagem disseminaram propaganda para enfraquecer o governo nacionalista de Mossadegh, eleito democraticamente em 1951, e conspiraram com a cúpula militar do país para forçar o retorno do xá Mohamed Reza Pahlevi.

"O golpe militar que derrubou Mossadegh e seu gabinete da Frente Nacional foi conduzido sob a direção da CIA como um ato de política externa dos EUA, concebido e aprovado no nível mais alto do governo", diz o documento em poder da GWU.

Nos Estados Unidos, os responsáveis pelo golpe de Estado foram o presidente Dwight Eisenhower e seu secretário de Estado, John Foster Dulles. Na Grã-Bretanha, o responsável foi o célebre primeiro-ministro Winston Churchill.

Os documentos comprovam a insatisfação dos governos americano e britânico com a nacionalização da produção de petróleo por Mossadegh e, naquele auge da Guerra Fria, suspeitavam de sua possível inclinação em favor da comunista União Soviética.

De acordo com um dos documentos revelados, havia "um perigo real" de o Irã "cair para trás na Cortina de Ferro".

Mesmo com a constatação pública do próprio Obama sobre a participação dos Estados UNidos a derrubada de um governo democrático no Irã, há 60 anos, a Casa Branca jamais emitiu o esperado pedido de desculpas a Teerã.

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