Documentos reforçam estimativa de 650 mil mortos no Iraque

Documentos levantados pela BBC revelam que a estimativa de mais de 650 mil mortos desde o início da guerra no Iraque foi considerada "estatisticamente sólida" por um alto funcionário do governo britânico. Os papéis, obtidos graças à lei britânica da Liberdade de Informação, mostram que o principal assessor científico do Ministério da Defesa britânico elaborou um parecer em que dizia que a estimativa publicada em outubro pela revista médica especializada The Lancet era "robusta" e resultado de uma metodologia adequada.O parecer de Roy Anderson circulou em um memorando no dia 13 de outubro. A BBC pediu que o documento fosse divulgado no dia 28 de novembro, mas o pedido só foi aprovado no último dia 14.Na época da divulgação do estudo pela Lancet, tanto o governo britânico como iraquianos e americanos criticaram duramente o documento.Um porta-voz do primeiro-ministro Tony Blair chegou a criticar a metodologia e afirmou que os resultados não eram precisos.Já o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, também desacreditou as conclusões do estudo. Os iraquianos classificaram os números de "pouco realistas" e "exagerados". Resultado da invasão Pesquisadores americanos da John Hopkins Bloomberg School of Public Health estimaram que 655 mil iraquianos (o equivalente a 2,5% da população do país) morreram como resultado da invasão americana em 2003.O estudo publicado na Lancet comparou as taxas de mortalidade em 47 áreas do Iraque escolhidas aleatoriamente, antes e depois da intervenção militar dos Estados Unidos.A grande maioria das mortes teria sido causada pela violência, sendo 56% delas provocadas por tiros, enquanto explosões e ataques aéreos seriam responsáveis por cerca de 14%.Ainda de acordo com a pesquisa, 31% das mortes violentas poderiam ser atribuídas a ações das forças de coalizão. O total de vítimas calculado pelo estudo é bem maior do que as estimativas oficiais ou o número de mortes divulgado pela imprensa.

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