Documentos revelam planos de Kissinger para atacar Cuba

Irritado com intervenção cubana em Angola, governo dos EUA estudou, em 1976, estratégias para ação militar

MIAMI, EUA, O Estado de S.Paulo

03 de outubro de 2014 | 02h02

Documentos divulgados na terça-feira pela Biblioteca Presidencial Gerald Ford, nos Estados Unidos, mostraram que, há quase 40 anos, o secretário americano de Estado, Henry Kissinger, traçou planos de contingência secretos para lançar ataques aéreos contra Havana e "esmagar Cuba".

Kissinger ficou tão irritado com a incursão militar de Cuba em Angola que, em 1976, convocou um grupo secreto de autoridades para elaborar medidas, segundo os papéis divulgados a pedido do Arquivo de Segurança Nacional, uma instituição de pesquisa.

As autoridades planejaram atacar portos e instalações militares e enviar batalhões de fuzileiros navais à base americana de Guantánamo para "surrar" os cubanos, como Kissinger afirmou, segundo os registros. Os documentos mostram que Kissinger temia que os Estados Unidos parecessem fracos se não enfrentassem um país com apenas 8 milhões de habitantes.

"Acredito que cedo ou tarde teremos de atacar os cubanos", disse Kissinger ao então presidente Ford numa reunião no Salão Oval em 1976, segundo uma transcrição.

Kissinger, que foi secretário de Estado de 1973 a 1977, havia planejado anteriormente uma iniciativa secreta para melhorar as relações com Havana. Mas em 1975 Fidel Castro enviou tropas a Angola para ajudar a nação, que havia pouco se tornara independente, a rechaçar ataques da África do Sul e de guerrilhas de direita.

"Se decidirmos usar poder militar, ele terá de ser bem sucedido", disse Kissinger em uma reunião em que consultores fizeram advertências sobre vazamentos. "Não pode haver meias medidas, não ganharemos nenhum prêmio por usar o poder militar com moderação. Se decidirmos por um bloqueio, ele terá de ser implacável, rápido e eficiente." Kissinger, hoje com 91 anos, não quis comentar o assunto. / NYT

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