Doença de Chávez expõe cisão no Exército

Em meio a debate sobre possível sucessão, militares mostram sinais de [br]divisão entre os que apoiam e os que rejeitam o 'socialismo do século 21'

Renata Miranda, O Estado de S.Paulo

24 de julho de 2011 | 00h00

O estado de saúde do presidente Hugo Chávez e a preocupação dos opositores com um possível processo de transição turbulento abriram espaço para a discussão da relação do líder venezuelano com o Exército. De acordo com analistas e fontes militares, apesar de as Forças Armadas parecerem unificadas e leais a Chávez, já haveria sinais de cisão entre os que apoiam e os que rejeitam seu projeto de "socialismo do século 21".

Alguns acreditam que existe até mesmo a possibilidade de ruptura total do comando militar com o governo caso a saúde de Chávez piore. "As Forças Armadas já demonstraram, em reuniões privadas, que consideram o processo chavista gasto e reconhecem que o cenário político venezuelano tem de ser renovado", afirmou ao Estado o cientista político venezuelano Oscar Reyes. "Os militares acham que Chávez já governou sozinho por bastante tempo e não conseguiu resolver os problemas básicos do país, como a questão da falta de segurança e do desemprego."

Apesar da desilusão de alguns oficiais de médio escalão com o programa de governo do presidente, o alto comando militar ainda seria leal a Chávez.

No entanto, segundo explicou o analista Alfredo Ramos Jiménez, o presidente já teria antecipado o descontentamento de alguns militares e, por isso, teria criado, há dois anos, suas "milícias populares" - um grupo armado que, segundo Chávez, deveria se juntar às Forças Armadas para "defender a revolução bolivariana".

"Na história da América Latina temos um ditado popular que diz que os militares são leais até que se rebelem", disse Ramos Jiménez. "Pensando nisso, o presidente criou essas milícias para poder ter um controle maior sobre as Forças Armadas." Dezenas de milhares de homens e mulheres fazem parte dessa força que é treinada pelo governo. Opositores e críticos do presidente são contra esse grupo que, segundo eles, não passa de um bando armado cujo único objetivo é garantir que Chávez continue no poder.

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