Doença de venezuelano causa apreensão em Cuba

Para especialistas, economia cubana deverá crescer caso Hugo Chávez deixe o poder e os investimentos de Caracas na ilha sejam suspensos

Guilherme Russo, O Estado de S.Paulo

10 de julho de 2011 | 00h00

No mesmo dia em que a Venezuela anunciou a internação do presidente Hugo Chávez em Cuba, acordos bilaterais para 2011 na ordem de US$ 1,3 bilhão foram firmados entre os países. Mas a polêmica sobre a saúde do líder, que acabou anunciando a retirada de tumores durante a visita a Havana, põe em dúvida a continuidade do auxílio de Caracas à ilha, já que a doença de Chávez provoca incerteza sobre a manutenção de seu regime.

A Venezuela é o maior parceiro do governo cubano. Estima-se que Caracas envie até 115 mil de barris de petróleo diariamente a Cuba - com pagamento facilitado - e invista cerca de US$ 3,5 bilhões a cada ano nos programas do governo de Havana. Em 2010, a ajuda venezuelana representou mais de 3% do PIB estimado da ilha.

De acordo com especialistas cubanos e venezuelanos ouvidos pelo Estado, porém, um possível cancelamento dessa ajuda faria com que o regime de Raúl Castro procurasse dar melhores condições de investimento - em termos de mais abertura econômica, garantia de pagamentos de dívidas e estabilidade política - aos países que não compartilham da ideologia do governo cubano. Segundo os analistas, esse processo poderá ser benéfico à economia da ilha.

"Muitos países querem investir em Cuba. Caso a Venezuela retire essa ajuda, o governo de Havana terá de acelerar as ações de abertura de mercado que já tem feito. E, na medida em que Cuba continue com essas mudanças e dê garantias de que não voltará atrás nesse "plano de voo", o país poderá obter um crescimento econômico real", explicou o economista venezuelano Robert Bottome.

Dado o montante gasto pela Venezuela em Cuba nos últimos anos, analistas preveem que Caracas ainda deverá anunciar mais acordos com Cuba este ano.

Entre os cem contratos firmados entre os países para 2011 estão previstas uma ampliação na capacidade da refinaria cubana de Cienfuegos, para que o processamento de petróleo do local passe de 65 mil para 150 mil barris ao dia, e as construções de uma produtora de gás natural e um gasoduto de 320 quilômetros. De acordo com informações da Petróleos de Venezuela (PDVSA), estatal que controla a produção e a exportação do insumo no país sul-americano, a construção de uma refinaria, na província cubana de Matanzas, e a ampliação de outra, em Santiago de Cuba, foram discutidas.

A contrapartida cubana continua principalmente no envio de especialistas, sobretudo das áreas médica e esportiva, para os programas sociais venezuelanos. Entre 2005 e 2010, a Venezuela investiu mais de US$ 34 bilhões em Cuba.

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