Doença não transfere votos para aliados de Cristina

Afastada do cargo por "estrito repouso" determinado pelos médicos, desde o dia 9 de outubro, a presidente argentina Cristina Kirchner não participou da etapa final da campanha. Já a melhora de 10 pontos nos índices de aprovação que ela ganhou nos últimos dias por causa da doença não foram transferidas aos seus candidatos, que disputam hoje as 129 vagas na Câmara dos Deputados, 38 no Senado e quase 400 nas províncias e municípios. "Está comprovado que os votos não se transferem", disse o analista e diretor da consultoria Poliarquia, Fabián Perechodnik, à Agência Estado.

MARINA GUIMARÃES, CORRESPONDENTE, Agência Estado

27 de outubro de 2013 | 13h05

Ele considerou que os resultados das eleições que devem impor uma derrota aos candidatos governistas não gera incertezas sobre a manutenção da governabilidade neste fim de mandato presidencial porque Cristina manteria uma maioria justa. Porém, o estado de saúde da presidente "é uma grande incógnita". Além da cirurgia realizada na cabeça para a drenagem de coágulo em uma das membranas entre o crânio e o cérebro, Cristina padece de uma arritmia cardíaca, que está sendo investigada pelos médicos.

Versões da imprensa local apontam uma possível cirurgia cardíaca para a colocação de um marca-passo, mas há falta de informações oficiais. "Não se sabe ao certo a gravidade do problema que a presidente tem e isso gera muitas incertezas e desmandos no governo", ponderou o analista Carlos Fara, da consultoria Fara & Associados. Ele disse que o próprio problema que levou à cirurgia no crânio é uma questão delicada para uma pessoa que tem um trabalho tão estressante e desgastante, como a presidente de um país.

Em sua análise, a evolução do estado de saúde de Cristina Kirchner e a resposta de sua equipe de governo, bem como das medidas que possam ser adotadas nos próximos meses, serão observados com mais atenção. "Qualquer recaída vai gerar perguntas, dúvidas e impasse na tomada de decisões do governo", estimou Fara. Os desacordos e luta interna pelo poder durante a ausência de Cristina geram o risco de que os funcionários tomem decisões desarticuladas e conflitantes, seguindo interesses próprios com vistas à acomodações após as eleições presidenciais de 2015.

Cristina exerce um poder centralizador, sem delegar autonomia a nenhum de seus funcionários. Seu antecessor, o marido Néstor Kirchner, que morreu em outubro de 2010, também era controlador. Desde 2003, quando assumiram o poder, os Kirchner não permitiram a autonomia de nenhum de seus seguidores. Neste aniversário de três anos de morte de Néstor, os kirchneristas se mantêm fiéis ao mentor do movimento político. "Uma ausência mais prolongada de Cristina poderia gerar um governo de facções, difícil de ser administrado porque em um poder vertical, qualquer relaxamento pode gerar caos", afirmou.

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