Dois brasileiros continuam desaparecidos em Bali

O Ministério das Relações Exteriores ainda espera a confirmação, pelas autoridades indonésias, da situação de dois brasileiros desaparecidos desde o atentado ocorrido na ilha de Bali, no último sábado. Até o início da noite desta segunda-feira, o Itamaraty confirmava apenas que o soldado Martin Luther Agner, que estava servindo no Timor Leste e passava a licença de final de semana em Bali, sofreu ferimentos leves e foi medicado. Outro militar, o sargento Marco Antonio Farias, encontrava-se em uma discoteca atingida pelas explosões, continua desaparecido. No Brasil, familiares do civil Alexandre Watake, que residia na ilha, informaram a embaixada brasileira que não haviam recebido notícias dele. A dificuldade de obter informações mais precisas levou ontem o embaixador do Brasil em Jacarta, Carlos Eduardo Sette Câmara, a enviar um de seus funcionários a Bali com a missão de rastrear o paradeiro de Faria e de Watake e de verificar outros possíveis casos de brasileiros desaparecidos. Fluente em indonésio e inglês, Braulio Gomes é um dos servidores mais antigos na embaixada brasileira. A assessoria de Comunicação Social do Itamaraty informou que a maior dificuldade para as autoridades indonésias identificarem as vítimas está no fato de que os corpos estão carbonizados. O Itamaraty emitiu uma nota na qual deplorou os atentados e deixou escapar que tem poucas esperanças de encontrar com vida o militar desaparecido. No final da tarde, o Exército distribuiu nota em que informa estar prestando assistência à família do sargento Marco Antonio Farias, que está desaparecido, e que o soldado Martin Luther Agner sofreu apenas um ferimento superficial no rosto. Ambos pertencem ao 19º Batalhão de Infantaria Motorizada, com sede em São Leopoldo (RS). Segundo a nota, eram dez os militares brasileiros que estavam de licença em Bali quando ocorreram as explosões. Eles integram a Força de Manutenção da Paz da ONU que atua no Timor Leste, país vizinho que recentemente conquistou sua independência da Indonésia. De acordo com a nota do Exército, um dos militares brasileiros permaneceu em Bali acompanhando as buscas, que contam com o apoio de uma equipe da ONU deslocada do Timor Leste. Os demais oito militares, inclusive o soldado Agner, foram transportados ontem para Dili, capital do Timor, onde chegaram por volta das 12 horas (horário de Brasília).O Exércio brasileiro mantém atualmente no Timor Leste 80 miltares, incluindo três oficiais superiores que atuam no Estado-Maior da Força de Manutenção da Paz e oito oficiais que integram o Grupo de Observadores Militares. Há ainda 69 militares do Pelotão de Polícia do Exército, dos quais 50 pertencem ao 3º Batalhão de Polícia do Exército de Porto Alegre, 18 ao Batalhão de Infantaria Motorizada de São Leopoldo (RS) e um faz parte do regimento de cavalaria mecanizado de Santana do Livramento (RS). A tropa de Polícia do Exército é substituída a cada seis meses. O atual contingente embarcou em 16 de junho passado, devendo retornar ao Brasil no início de dezembro.

Agencia Estado,

14 de outubro de 2002 | 20h03

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