Dois candidatos bielo-russos são libertados

Gregori Kostusyev disse que a KGB queria que ele renunciasse publicamente; outros cinco rivais de Lukachenko ainda estão presos

, O Estado de S.Paulo

22 de dezembro de 2010 | 00h00

Dois dos candidatos bielo-russos presos após as eleições presidenciais do domingo foram libertados. Ao todo, sete opositores que tentaram derrotar o presidente Aleksander Lukachenko na controvertida votação foram detidos. Cerca de 700 manifestantes também acabaram na prisão durante um protesto contra o resultado - que reelegeu Lukachenko com quase 80% dos votos.

Envolvida em suspeitas de corrupção, fraude e manipulação, a eleição bielo-russa não foi aprovada por observadores da Organização para a Segurança e a Cooperação na Europa (OSCE) e seu resultado não foi reconhecido pelo Departamento de Estado americano.

Gregori Kostusyev, um dos candidatos libertados, disse que foi preso pelo serviço secreto bielo-russo, que mesmo com o fim da União Soviética continuou a ser denominado KGB no país. "Eles queriam que eu renunciasse publicamente e condenasse meus colegas. Depois que rejeitei, me liberaram." Ele foi solto juntamente com Dmitri Uss na noite da segunda-feira.

Último?. Muitos referem-se a Lukachenko como o último ditador da Europa, mas ele está longe de ser o único ou o último do tipo nas 15 ex-repúblicas da URSS. Três dos cinco Estados da Ásia Central - Casaquistão, Usbequistão e Tajiquistão - ainda são liderados pelas mesmas figuras que assumiram o poder em 1992. Lukachenko ascendeu pouco depois, em 1994.

O Turcomenistão conseguiu superar a morte de seu grande líder, responsável por rebatizar o mês de janeiro com seu próprio nome, apenas para substituí-lo por outro. Apenas o Quirguistão pode se gabar de ter tido mais de dois presidentes nos últimos 20 anos; ambos foram obrigados a deixar o país por uma população furiosa com sua incompetência. O Azerbaijão também segue o modelo centro-asiático, e chegou a refiná-lo com uma determinação prevendo que filhos sucedam aos pais no poder. Armênia e Geórgia fizeram tentativas mais críveis de realizar eleições livres e justas, apesar de várias terem sido criticadas por observadores estrangeiros.

Já o histórico eleitoral da Ucrânia teve como resultado uma revolução, dois presidentes, várias eleições questionáveis e uma profunda divisão em todo o país. As votações na Moldávia produziram tanto violência quanto impasses. Somente os três países bálticos podem afirmar que se tornaram sistemas democráticos. / AP e THE GUARDIAN

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