Dois candidatos recusam recontagem de voto no Haiti

Dois dos principais candidatos à presidência no Haiti, Mirlande Manigat e Michel Martelly, rejeitaram a proposta da Comissão Eleitoral para recontar os votos da eleição ocorrida em 28 de novembro, aumentando a possibilidade de mais protestos contra a contagem oficial. A proposta de recontagem foi aceita apenas por Jude Celestin, candidato que pertence ao partido do atual governo e que ficou em segundo lugar na votação.

AE, Agência Estado

11 de dezembro de 2010 | 20h02

Manigat, professora de direito e ex-primeira-dama, obteve 31% dos votos na contagem oficial e terá vaga garantida no segundo turno da disputa pela presidência do Haiti, que acontecerá em 16 de janeiro. Num comunicado divulgado na sexta-feira, ela afirmou que rejeitava a recontagem dos votos porque a Comissão Eleitoral não apresentou procedimentos claros nem um cronograma para realizar esse trabalho. Ela também disse estar aberta a outras iniciativas para resolver a crise.

Martelly ficou alguns milhares de votos atrás de Celestin e deve ser eliminado da disputa se os resultados atuais prevalecerem. Seus simpatizantes conduziram muitos dos protestos que paralisaram Porto Príncipe durante a semana e ele estava entre os 18 candidatos que classificaram a eleição como fraudulenta antes mesmo de as urnas fecharem.

"Não podemos aceitar uma recontagem pelo mesmo grupo que manipulou as eleições", disse Martelly no sábado, acrescentando que uma contagem justa mostraria que ele venceu o primeiro turno.

A campanha de Celestin argumenta que o resultado da eleição foi mal avaliado e que o candidato ficou em primeiro lugar, não em segundo. O senador Joseph Lambert, coordenador da candidatura de Celestin, disse que "aceita o processo de recontagem (para garantir) a transparência do sistema."

Todos os concorrentes concordam que a eleição teve problemas, de forma geral. Milhares de eleitores não receberam cédulas de identidade a tempo da votação, não puderam encontrar os nomes nas listas, entre outros. A Organização dos Estados Americanos (OEA) também reconheceu as falhas, mas disse que elas não devem invalidar os resultados. As informações são da Associated Press.

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