Dois dias após tragédia, novo acidente de trem fere 90 em Buenos Aires

Colisão envolveu um ônibus, um caminhão e um trem do serviço de metrô de superfície no bairro de Flores.

Marcia Carmo, BBC

15 Setembro 2011 | 14h24

Noventa pessoas ficaram feridas nesta quinta-feira em um acidente envolvendo um ônibus, um caminhão e um trem do serviço de metrô de superfície no bairro de Flores, em Buenos Aires.

"Um (dos feridos) é um bebê de oito meses", disse Alberto Crescenti, do Serviço Médico Metropolitano de Emergência (SAME).

Ele informou ainda que não há vitimas fatais ou feridos graves. Mas ao menos duas pessoas estão em observação, segundo o médico Damián Pagano, diretor de um dos cinco hospitais que atenderam as vítimas.

Mais de 30 ambulâncias participaram da operação de socorro às vítimas, que em sua maioria estava indo para o trabalho.

De acordo com a Polícia Federal argentina, o sinal de trânsito estaria funcionando na hora do choque. "É preciso agora investigar se houve imprudência de algum dos motoristas", disse um policial.

A partir dos depoimentos de moradores, especula-se que o trem do metrô não tenha freado na luz vermelha, provocando o choque com o caminhão e o ônibus, no cruzamento.

Investigações

O acidente desta quinta ocorreu dois dias após um choque entre um ônibus e dois trens que deixou onze mortos e 228 feridos, no mesmo bairro de Buenos Aires. A tragédia foi apontada pela imprensa local como "um dos piores acidentes de trânsito da história argentina".

As autoridades ainda apuram de quem é a responsabilidade pelo caso de terça. Segundo as imagens registradas no local, um ônibus avançou o sinal vermelho foi arrastado por um trem, que acabou batendo em outro trem parado.

"Pego esse ônibus, da linha 92, todos os dias. Por sorte, eu não estava lá (na hora da colisão de terça). Mas todos os dias é a mesma coisa. O sinal demora demais a abrir e deixa a impressão de que não funciona. E muitos passageiros começam a pedir que o motorista avance. Pra mim, era uma tragédia anunciada", disse à BBC Brasil a passageira Mercedes, que é empregada doméstica no bairro nobre da Recoleta.

As imagens na estação de trem estão sendo analisadas pela polícia para definir as responsabilidades da tragédia.

Soledad, mulher do motorista do ônibus, Filiberto Gallardo, morto no acidente, disse que o marido era "prudente" e que ele já tinha comentado que "a barreira era lenta" e que "às vezes o trem estava longe e ela não subia". Nesses casos, algum passageiro tinha que descer do ônibus para levantá-la.

Um porta-voz da empresa de trens TBA repetiu, várias vezes, que o motorista do ônibus avançou o sinal de maneira equivocada.

"A luz estava vermelha, o alarme disparava e a barreira funcionava, mas se estava quebrada a Polícia Metropolitana de Buenos Aires deveria ter nos avisado. Vamos esperar as investigações", disse Gustavo Gago, da TBA, à rádio Diez.

O secretário de Justiça e Segurança do governo da cidade de Buenos Aires, Guillermo Montenegro, disse que "responsabilizar a Polícia Metropolitana é ridicularizar um acidente grave".

A troca de acusações envolveu ainda o prefeito de Buenos Aires, Mauricio Macri, que afirmou que o governo nacional deveria evitar o "desperdício de recursos" para "investir nas obras necessárias" nas linhas férreas, administradas pelo governo central.

O ministro de Planejamento Federal, Julio de Vido, respondeu dizendo que as declarações de Macri eram "mesquinhas" e que o governo está realizando os investimentos.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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