Foguetes caem perto da embaixada dos Estados Unidos em Bagdá

Foguetes caem perto da embaixada dos Estados Unidos em Bagdá

Artefatos não atingiram o prédio diplomático, mas deixaram seis feridos; ataque ocorreu pouco após de o Parlamento do Iraque ter determinado a retirada das tropas americanas do país

Redação, O Estado de S.Paulo

05 de janeiro de 2020 | 19h57
Atualizado 06 de janeiro de 2020 | 11h44

Pelo menos três foguetes atingiram a noite deste domingo, 5, os arredores da embaixada dos Estados Unidos em Bagdá, pouco tempo depois de o parlamento iraquiano ter aprovado a expulsão de tropas americanas do país. 

Na quinta-feira, 2, um ataque com um drone matou o general Qassim Suleimani, arquiteto da estratégia iraniana no Oriente Médio, e de Abu Mehdi Al Muhandis, número dois da coalizão paramilitar pró-Irã Hashd al Shaabi, o mundo teme um conflito. Por seu lado, Teerã clamou por "vingança". Por outro, o presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçou atacar 52 alvos iranianos - o número é emblemático, pois é o mesmo do de reféns que, por 444 dias, ficaram presos na embaixada dos EUA em Teerã, em 1979.

Autoridades iraquianas confirmaram que no total seis foguetes Katyusha caíram em Bagdá – três atingiram a Zona Verde, parte mais fortificada da capital iraquiana, onde ficam as representações diplomáticas. Um dos disparos destruiu uma praça localizada a cerca de um quilômetro da embaixada dos EUA. 

Os outros três artefatos atingiram a região de Jadriya – um deles caiu a 500 metros do palácio As-Salam, onde o presidente Barham Salih costuma trabalhar. Segundo o governo do Iraque, seis pessoas ficaram feridas. Foguetes também caíram ontem nas proximidades da base aérea de Balad, usada pela Força Aérea do Iraque, 40 quilômetros ao norte de Bagdá. 

Iraquianos e americanos não deram detalhes sobre quem teria disparado os foguetes. O coronel americano Myles Caggins disse que, nos últimos dois meses, as tropas dos EUA sofreram 13 ataques parecidos. “Aumentamos a segurança e as medidas defensivas em todas as bases iraquianas usadas pela coalizão internacional que luta contra o Estado Islâmico”, afirmou. Um empreiteiro foi morto em um desses ataques, ocorrido em dezembro.

Após as mortes de Suleimani e Al Muhandis, o Iraque passou a ter um consenso incomum contra a presença dos Estados Unidos no Iraque -- antes das mortes o país vivia uma onda de protestos violentos contra o próprio governo, considerado corrupto, e a interferência do Irã em assuntos nacionais.

Neste domingo, o Parlamento do Iraque determinou a retirada das tropas dos EUA do país. O chefe do Parlamento, Mohamed al Halbusi, leu uma decisão em que diz que o governo do seu país se viu forçado a tomar para "preservar a soberania do país, retirando seu pedido de ajuda", que foi lançado à comunidade internacional para combater o grupo islâmico Estado Islâmico (EI). No mesmo dia, a coalizão internacional contra os terroristas, liderada por Washington, anunciou ter "suspendido" a luta contra o EI, para "se dedicar" totalmente à proteção de suas tropas.

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Na sessão que deiciu pela saída dos EUA, havia 168 deputados presentes - de 329. A votação elogiada pelo Irã, que considerou que "com a adoção desta lei, manter a presença dos EUA no Iraque equivale a uma ocupação".

As brigadas do Kataeb Hezbollah, a facção mais radical, pediram aos soldados iraquianos que se afastassem "pelo menos 1.000 metros" dos locais onde as forças armadas americanas estão presentes a partir da noite de domingo, o que implica que esses locais poderiam ser alvo dos ataques.

O secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, criticou a ameaça e chamou as brigadas de "bandidos". O país tem por volta de 6 mil soldados no Iraque.

O movimento xiita libanês, cujos homens lutam ao lado do regime sírio e seu aliado iraniano, pediu ao Iraque que se libertasse da "ocupação" dos Estados Unidos e disse que os militares dos EUA "pagariam o preço do assassinato" de Suleimani.

Diante das crescentes tensões, Washington anunciou recentemente o envio de entre 3.000 e 3.500 soldados a mais na região.

Bagdá convocou o embaixador dos EUA para denunciar "uma violação da soberania do Iraque" com "operações militares ilegítimas [...] que podem levar a tensões crescentes na região". / AFP

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