Washington Post photo by Carolyn Van Houten
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Dois fuzileiros navais americanos são acusados de tráfico de imigrantes

Segundo a denúncia, os três imigrantes mexicanos estavam dispostos a pagar US$ 8 mil para serem 'introduzidos ilegalmente nos EUA'; governo americano diz que número de imigrantes detidos ou impedidos de cruzar a fronteira caiu 28% em junho

Redação, O Estado de S.Paulo

10 de julho de 2019 | 01h13

LOS ANGELES - Dois fuzileiros navais americanos foram acusados de tráfico de imigrantes sem documentos na fronteira com o México para obter um dinheiro extra. 

Byron Darnell Law II e David Javier Salazar-Quintero foram detidos pela Patrulha da Fronteira no dia 3 quando transportavam três imigrantes sem documentos, a cerca de 10 km da fronteira com o México, em Jacumba, na Califórnia. 

Segundo uma cópia da denúncia, os três imigrantes mexicanos estavam dispostos a pagar US$ 8 mil para serem "introduzidos ilegalmente nos EUA", mas não especifica a quem teriam de pagar. 

Os militares - fuzileiros da base Camp Pendleton, no Condado de San Diego - foram acusados de ter transportado esses imigrantes com o objetivo de obter "dinheiro extra", ainda de acordo com a denúncia da Patrulha da Fronteira, citada pela agência France Presse

Em suas declarações às autoridades, Law e Salazar culparam um ao outro. Law disse que foi Salazar quem havia oferecido o trabalho de buscar imigrantes sem documentos, enquanto seu companheiro assegura que foi Law quem o apresentou aos "recrutadores" para o trabalho. 

Eles declararam que ganhariam por cada transporte de imigrante entre US$ 500 e US$ 1 mil. 

Segundo o Washington Post, os dois militares foram acusados formalmente na segunda-feira. A Procuradoria não comentou. 

Esse não é o primeiro caso de militares que ajudam no transporte de imigrantes sem documentos. Alguns chegaram até mesmo a vesti-los em uniformes para enganar as autoridades. Situações similares foram noticiadas em 2014, 2017 e no ano passado. 

"Estamos cooperando plenamente com os esforços da investigação", declarou ao diário Marine Corps Times um porta-voz da Marinha.

Redução de entradas

 O número de imigrantes detidos ou impedidos de cruzar a fronteira do México com os EUA caiu 28% em junho, informou nesta terça-feira o Departamento de Segurança Interna dos EUA (DHS).

A queda foi registrada após o acordo assinado entre os presidentes dos EUA, Donald Trump, e do México, Andrés Manuel López Obrador, no qual o país vizinho aceitou, entre outras coisas, acolher os imigrantes que esperam resposta para os pedidos de asilo feitos ao governo americano. 

O acordo saiu após o presidente americano ameaçar impor tarifas sobre todas as importações de produtos mexicanos

Segundo o DHS, a Agência de Proteção Alfandegária e Fronteiras (CBP) realizou 104.344 "ações de cumprimento" em junho, número que inclui prisões e rejeições de imigrantes na fronteira. Em maio, foram 144.728.

O órgão não deu mais detalhes sobre os dados, mas destacou que a queda deste ano nas prisões foi 11% superior a registrada no mesmo período do ano passado.

Em maio, o CBP deteve 132.887 imigrantes na fronteira, recorde para um único mês desde 2006. Do total, 11.507 eram menores não acompanhados de seus responsáveis. / AFP e EFE

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