Dois generais se rebelam contra Chávez

Em um ato de insubordinação, o general da Guarda Nacional, Rafael Damiani Bustillos, denunciou, nesta quarta-feira, que as autoridades ordenaram aos militares que usassem a "força" para reprimir os protestos diante de um dos edifícios da estatal Petroleos de Venezuela S. A. (PDVSA).Damiani é o segundo alto oficial a rebelar-se contra o governo nesta quarta-feira, em meio a uma greve geral e distúrbios em várias regiões do país por um conflito na estatal de petróleo.O cidadão presidente da República ordenou à Guarda Nacional a utilização da força com a finalidade de retirar as pessoas que se encontram diante da PDVSA", denunciou o general. Ele exortou os membros do Alto Comando militar a "não levarem em conta uma loucura presidencial que vai empanar o nome das Forças Armadas, e em especial o da Guarda Nacional".Também pediu tranqüilidade ao governo nacional, aos meios de comunicação, aos dirigentes sindicais e empresariais, à PDVSA e a todos os venezuelanos. Horas antes, o general de brigada do Exército venezuelano, Nestor González, havia pedido a renúncia do presidente Hugo Chávez, alegando que o chefe de Estado está protegendo a guerrilha colombiana.Ele também denunciou a existência de acampamentos da guerrilha colombiana na Venezuela. González, que é o quinto militar a pedir nos últimos meses a renúncia de Chávez, teve sob sua responsabilidade uma das zonas fronteiriças com a Colômbia e comandou várias operações de erradicação de cultivos ilegais de papoula e de folha de coca.O general disse à imprensa que, por reforçar a segurança e alertar o governo sobre a presença de guerrilheiros na extensa fronteira com a Colômbia, de mais de 2 mil quilômetros, ele foi transferido para uma função de menor responsabilidade no comando da escola militar.Segundo González, Chávez mantém "uma posição passiva diante da infiltração da guerrilha" e pediu que o presidente reconheça que os rebeldes esquerdistas já invadiram o território venezuelano. "Há provas de tudo", afirmou. "Também há fotografias, mas, para o senhor presidente, é mais interessante sua relação com Fidel Castro e com o comunismo", acrescentou.González disse que as Forças Armadas não pretendem dar um golpe de Estado, mas assegurou que se aliará à sociedade civil para resolver os problemas que o país enfrenta.

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