REUTERS/Daniel Tapia
REUTERS/Daniel Tapia

Dois jornalistas e um motorista são sequestrados na fronteira do Equador com a Colômbia

Ataque aumenta a tensão na região, que registrou ataques liderados por grupos de guerrilheiros dissidentes das FARC

O Estado de S.Paulo

28 Março 2018 | 03h50

QUITO - Dois jornalistas e um motorista do El Comercio, um dos principais jornais do Equador, foram sequestrados nessa segunda-feira, 26, na província de Esmeraldas, na fronteira com a Colômbia. As informações foram confirmadas pelo ministro equatoriano do Interior, Cesar Navas.

“Três trabalhadores do veículo de imprensa El Comercio foram sequestrado nessa segunda-feira durante a manhã no cantão San Lorenzo, província de Esmeraldas", disse Navas. As identidades dos funcionários do jornal não foram reveladas, mas se tratam de um repórter, um fotógrafo e um motorista que estavam a trabalho na região. 

Segundo o ministro, existe um registro de que as três vítimas passaram pela reserva militar e que "receberam as advertências correspondentes ao risco de circular por esta zona, o limite político internacional".

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O ministro disse ainda que é possível que os sequestrados "estejam na Colômbia". A hipótese é trabalhada pela polícia equatoriana.

 

Navas acrescentou que após ser informado sobre o crime, autoridades do país se reuniram com os representantes legais do jornal, bem como com familiares dos afetados, a quem deu mais detalhes do ocorrido e explicou os protocolos do caso. Segundo o ministro, o governo equatoriano não poupará "nenhum esforço para proteger a vida e integridade" das vítimas. Sem entrar em detalhes, avaliou que as informações preliminares dos investigadores afirmam que os sequestrados "estão bem". Consultado sobre se houve algum tipo de contato por parte dos sequestradores, Navas revelou que "já existiu um contato".

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"Não podemos dar mais detalhes porque é um processo próprio da investigação e da operação que está sendo realizada e também para salvar a integridade dos nossos cidadãos", disse.

No comunicado à imprensa, Navas condenou o crime em nome do presidente do Equador, Lenín Moreno, e prestou solidariedade aos familiares dos sequestrados. 

Associações de jornalistas no Equador também expressaram sentimentos às famílias e exigiram das autoridades o resgate “o mais rápido possível”. Por uma noite, dezenas de jornalistas e autoridades políticas realizaram uma vigília na sede do governo, em Quito, com o lema “Nos #FaltamTrês e nós os queremos de volta”.

Tensão

O sequestro da equipe do El Comercio aumenta a tensão na região fronteiriça entre o Equador e a Colômbia devido às ofensivas de guerrilheiros liderados por “Guacho”, um ex-guerrilheiro das FARC que se afastou do grupo após o acordo de paz com o governo colombiano. Nas últimas semanas, oito ataques ocorreram na área, sem contar o sequestro.

Segundo Navas, os ataques correspondem a represálias da “delinquência organizada e do narcotráfico”. “O que temos que entender é onde opera a ameaça, a ameaça não está operando no nosso território. No nosso país não estão os cultivos, não estão os laboratórios de drogas", sublinhou, ao acrescentar que o país enfrenta uma ameaça com um "inimigo difícil".

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Nos últimos dias, foi imposta a proibição da circulação de cidadãos que não habitem nas zonas próximas ao limite político internacional no cantão San Lorenzo, onde desde janeiro rege um estado de exceção após a explosão de um carro-bomba, que deixou 28 feridos.

O ministro assegurou que frente a estas ameaças, as forças equatorianas se mantêm do seu lado da fronteira e voltou a invocar o pedido à Colômbia para que garanta a segurança na sua parte do território.

De acordo com informações da inteligência colombiana, cerca de 1200 guerrilheiros compõe o grupo de dissidentes. //EFE e AFP

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